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A imagem que todos usam para mostrar a evolução humana está errada

POR Bruno Dias    EM Curiosidades      09/03/20 às 18h17
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A evolução humana ainda é um assunto a ser amplamente estudado pelos cientistas. As descobertas, ao longo do tempo, fizeram com que a ciência por diversas vezes alterasse seus registros e conceitos sobre como viviam nossos antepassados. Essas informações têm nos ajudado a compreender nossas origens e a moldar nossos passos em direção ao futuro.

Ela explica como todos os seres vivos surgiram e como chegaram até onde estão hoje em dia. O mais fácil de se pensar sobre a evolução é que ela funciona com a adição contínua de recursos aos organismos aumentando a sua complexidade.

Mas esse é uma das coisas erradas que se propagam sobre a evolução. Várias ramificações bem sucedidas da evolução continuaram simples, como por exemplo as bactérias. Ou então até mesmo reduziram a sua complexidade, como no caso dos parasitas. E mesmo com essa aparente redução ou simplicidade, eles estão indo muito bem.

Em um estudo publicado na Nature Ecology and Evolution, foram comparados genomas de mais de 100 organismos, sendo eles principalmente animais. O objetivo era estudar como o reino animal evoluiu no nível genético.

Como resultado, eles viram que as origens de grandes grupos de animais, como o dos seres humanos, estão ligadas não à adição de genes como se imagina, mas sim a grandes perdas.

Um dos contrários mais fortes à "marcha do progresso" foi o biólogo evolucionista, Stephen Hay Gould. Essa marcha é a ideia de que a evolução tem sempre como resultado, uma complexidade maior.

Para tentar explicar seu ponto de vista, Gould usa no seu livro "Full House", um modelo chamado caminhada dos bêbados. Nessa caminhada, ele fala que um bêbado deixa o bar e vai até a estação de trem, caminhando de forma desajeitada, para frente e para trás. Ele faz isso em cima da plataforma, se balançando entre os trilhos do trem. Depois de um tempo, o bêbado cairá sobre os trilhos e ficará preso lá.

Complexidade

Na teoria, a plataforma é uma escala de complexidade. Sendo o bar de onde ele sai, a menor complexidade, e as faixas, o máximo. A vida surgiu saindo do bar, tendo a menor complexidade possível.

E às vezes, ela tropeça aleatoriamente em direção às faixas, onde evoluiu aumentando a sua complexidade. Mas outras vezes ela vai em direção ao bar, diminuindo a complexidade.

Nenhum lado é melhor que o outro. Se manter simples ou reduzir a complexidade pode ser a melhor tática para a sobrevivência dependendo do ambiente.

Em alguns casos, grupos de animais desenvolvem características complexas essenciais à maneira como seus corpos funcionam e não podem mais perder esses genes para ficarem mais simples. Eles ficam presos nos trilhos. Um exemplo disso são os organismos multicelulares, que raramente voltam a ser unicelulares.

Se somente os organismos que estão presos nos trilhos forem analisados, a percepção da evolução seria que ela estaria andando em linha reta. Indo do simples para o complexo. Isso fará com que se acredite que as formas de vida mais antigas são mais simples e as novas mais complexas. Mas o caminho para a complexidade é mais complexo.

Evolução

A maioria dos animais pode ficar junta em grandes linhagens evolutivas. Eles mostram como os animais vivos evoluíram a partir de uma série de ancestrais compartilhados.

Uma das linhagens animais é a dos deuterostomos. Ela inclui os seres humanos e outros vertebrados, além de estrelas ou ouriços do mar. Outra linhagem são os ecdysozoans, que são os artrópodes e outros animais mudos, como as lombrigas. E por fim existe a linhagem dos lophotrochozoans, que são animais como os moluscos ou anelídeos, que são minhocas, e vários outros.

Esses animais foram analisados para ver como eles estavam relacionados e quais genes compartilhavam ou não. Se um gene estava presente em um lugar mais antigo da linha evolutiva e não em um lugar mais jovem, a conclusão era que o gene tinha sido perdido.

Os resultados mostraram vários genes perdidos e ganhos. Coisa que outras análises não tinham mostrado. E duas das linhagens, osdeuterostomos e os ecsozoários, foram as que mais perderam genes. Sendo essa primeira a dos humanos.

Esses resultados confirmaram a teoria de Gould mostrando que, no nível de genes, a vida começou saindo do bar e deu um grande salto na complexidade. Mas que depois, algumas linhagens foram de novo mais para perto do bar e perderam genes. E outras foram para o lado dos trilhos e ganharam mais genes.


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