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A morte trágica dos bombeiros de Chernobyl

POR Arthur Porto    EM História      04/11/19 às 11h18

Mesmo depois de mais de três décadas, o número de mortos, ocasionadas pelo desastre nuclear de Chernobyl, ainda é surpreendente. Segundo a Newsweek, de acordo com dados da ONU, cerca de 4.000 pessoas morreram. Em suma, o acidente nuclear de Chernobyl foi um dos mais trágicos do século XX.

A tragédia ocorreu na usina V. I. Lenin, localizada na cidade de Pripyat, a cerca de 20 km da cidade de Chernobyl, na extinta União Soviética, atual território ucraniano. O acidente, nesse ínterim, começou no reator 4 da usina de Chernobyl. Acredita-se que foi resultado de falha humana, já que operadores do reator descumpriram os protocolos de segurança.

Além disso, foi apontado posteriormente que os reatores tinham um grave erro no seu projeto, o qual permitiu que o acidente acontecesse. Antes mesmo que os riscos se tornassem claros, as equipes de emergência foram as primeiros a responder ao desastre.

Dentre os inúmeros heróis, que entraram em cena para socorrer as vítimas, queremos destacar aqui a figura do bombeiro Vasily Ignatenko. Ignatenko, que morreu devido à exposição à radiação três semanas depois. Em contrapartida, seu auxílio ajudou a impedir que a crise se tornasse ainda pior.

Chernobyl, 26 de abril de 1986

A explosão do reator 4 ocorreu durante um teste de segurança, que estava em curso. Com a explosão, dois trabalhadores da usina morreram e, na sequência, um incêndio iniciou-se e estendeu-se durante dias. A explosão deixou o reator nuclear exposto. Além disso, o incêndio foi responsável por jogar na atmosfera uma elevada quantidade de material radioativo.

Para tentar controlar o incêndio, as equipes de emergência inseriram hastes de controle feitas de carboneto de boro. Em suma, tais hastes deveriam evitar reações de fissão no núcleo do reator. Infelizmente, as hastes possuem pontas de grafite. Assim, ao inseri-las, a fissão aumentou imediatamente e um repentino aumento de energia ocasionou uma explosão de vapor.

Todo o trabalho, descrito acima, foi feito sob a supervisão do vice-engenheiro-chefe, Anatoly Dyatlov. Dyatlov, mais tarde, afirmou que estava apenas seguindo ordens. Na época, havia 28 bombeiros tentando controlar o incêndio.

Vasily Ignatenko e os bombeiros de Chernobyl

Nascido em Spiaryžža, na Rússia, em 13 de março de 1961, Vasily Ignatenko foi um dos bombeiros a responder o chamado. Ele tinha 25 anos, quando tentava controlar as chamas, junto a outros bombeiros. Determinado, e sem avaliar os riscos, Ignatenko foi exposto a uma dose letal de radiação.

Surpreendente, os bombeiros, de acordo com informações disponibilizadas pela imprensa, levaram algumas horas para extinguir o incêndio caótico. Pela manhã, tudo parecia estar sob controle.

A compilação dos fatos e as informações exclusivas foram viabilizadas por fontes primárias, como, por exemplo, a esposa de Ignatenko, Lyudmila. Em suma, todo o conteúdo fornecido pelas fontes permitiram que Svetlana Alexievich escrevesse o livro Vozes de Chernobyl: A História de um Desastre Nuclear.

Publicado em 1997, a obra ganhou o Prêmio Nacional do Círculo de Críticos de Livros, após ser traduzido para o inglês, em 2005.

De acordo com Lyudmila, após controlar as chamas, "o marido e os outros bombeiros não podiam calçar sapatos porque os pés estavam incrivelmente inchados". Quando Ignatenko morreu, seu corpo, junto com os de outros 27 bombeiros que morreram, ainda possuíam altas doses de radiação.

Os bombeiros tiveram que ser enterrados sob grandes quantidades de zinco e concreto. Antes de seu corpo ser enterrado em Moscou, Lyudmila o viu morrer lentamente.

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Via   ATI  
Imagens ATI
Arthur Porto
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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