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Beber até desmaiar está associado ao risco dobrado de demência

POR Bruno Dias    EM Curiosidades      14/09/20 às 15h02
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Beber depois de um dia cansativo de trabalho, ou com os amigos no final de semana, é uma coisa que muitas pessoas fazem. Mas tem aquelas vezes que todos passam do ponto. É claro que não é aconselhável e nem seguro, mas às vezes acontece de uma pessoa desmaiar de bêbado.

E na manhã seguinte a ressaca pode ser bem pior do que uma simples dor de cabeça. Em um novo estudo feito por cientistas, eles fizeram uma revisão massiva em pesquisas anteriores que examinaram o histórico de consumo de álcool de mais de 130 mil pessoas. Eles sugerem que desmaiar de bêbado dobra o risco das pessoas desenvolverem demência mais tarde em suas vidas.

Por mais que a relação de excesso de bebida alcoólica e demência sejam bem documentadas, ainda tem muito que não sabemos sobre como o consumo de álcool contribui para os mecanismos biológicos por trás do declínio cognitivo.

Essas ligações foram observadas em vários estudos. Mas, por mais que esse assunto seja bem explorado, isso não quer dizer que não existam outras maneiras de se abordar os dados.

Análise

Uma das limitações significativas dos estudos já feitos, que geralmente analisam os efeitos em termos de níveis médios de consumo de álcool ao longo do tempo, é não considerar os padrões de consumo ocultos por trás das médias.

Com relação aos efeitos posteriores sobre a saúde, por exemplo, provavelmente existe uma grande diferença entre beber 14 bebidas alcoólicas em uma noite e separá-las em 14 noites diferentes.

"O consumo de grandes quantidades de álcool em um curto período de tempo pode levar a níveis neurotóxicos de álcool no sangue, embora esses episódios não sejam totalmente refletidos nos níveis médios de consumo. Assim, tanto os níveis pesados ??quanto os moderados de consumo geral podem ser combinados com episódios de consumo excessivo de álcool, levando a efeitos agudos no sistema nervoso central, como perda de consciência", disse a equipe de pesquisa liderada pela epidemiologista Mika Kivimaki, da University College London, em seu relatório.

Segundo Kivimaki e sua equipe, o legado desses efeitos neurotóxicos de apagões induzidos pelo álcool não foi estudado de uma forma abrangente no contexto dos fatores de risco para demência.

Estudo

Por essa razão, os pesquisadores analisaram os dados de sete estudos anteriores e os peneiraram medindo a ingestão de álcool em grupos do Reino Unido, França, Suécia e Finlândia, totalizando 131.415 participantes.

Não foram todos os participantes que relataram ter bebido até desmaiar. Mas mais de 96 mil disseram ter experimentado perda de consciência. E aproximadamente 10 mil disseram que a experimentaram nos 12 meses anteriores. E no acompanhamento dos participantes surgiu uma tendência perturbadora.

"A perda de consciência devido ao consumo de álcool foi associada ao dobro do risco de demência subsequente, independentemente do consumo geral de álcool. Aqueles que relataram ter perdido a consciência durante os últimos 12 meses tiveram o dobro do risco de demência, em comparação com bebedores moderados que não perderam a consciência", explicaram os pesquisadores.

De acordo com os pesquisadores, o risco quase dobrado era evidente para todas as causas de demência. Além de demência de início precoce, demência de início tardio e doença de Alzheimer. E ele podia ser observado tanto em homens quanto mulheres e em participantes mais velhos e mais novos.

Risco

A taxa de risco é um pouco diferente para cada subconjunto. Mas, no geral, os pesquisadores dizem que a elevação do risco de demência foi aproximadamente duas vezes nos bebedores que disseram ter desmaiado mesmo que fossem bebedores moderados.

E quando os bebedores moderados foram comparados com os que bebem muito, mais de 14 unidades por semana, os que bebem muito tinham aproximadamente 1,2 vezes mais probabilidade de desenvolver demência mais tarde na vida.

Entretanto, não se pode concluir que as pessoas que bebem até desmaiar vão necessariamente ter demência no futuro. O que se pode confirmar é que as pessoas que relataram esses apagões parecem ter um risco geral significativamente maior.


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Bruno Dias
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