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Bolsa de xamã de 1000 anos foi encontrada com alucinógenos bastante peculiares

POR Cristyele Oliveira    EM Curiosidades      08/05/19 às 15h12

Que os xamãs antigos usavam plantas para fins medicinais e psicoativos não é bem uma novidade. No entanto, uma bolsa de xamã encontrada recentemente na Bolívia tinha vestígios de várias plantas psicotrópicas bastante peculiares.

Além das plantas alucinógenas, os pesquisadores encontraram outros itens interessantes. A bolsa de couro, costurada a partir de três focinhos de raposa, continha ainda duas tábuas de madeira, provavelmente usadas para triturar as plantas psicotrópicas. E também duas espátulas ósseas, uma faixa de cabelo e um tubo de cabelo humano para fumar as folhas alucinógenas.

O achado curioso trouxe novas evidências sobre o uso dessas substâncias pelos seres humanos ao longo da história.

A bolsa

Entre 2008 e 2010, arqueólogos estavam fazendo pesquisas na região do Vale do Rio Sora, na Bolívia. Eles não estavam procurando exatamente por psicotrópicos, mas sim por evidências de habitação humana naquela região. Em uma caverna, chamada Cueva del Chileno, eles encontraram uma bolsa de couro diferente. O objeto, que datava provavelmente de 1.000 anos atrás, ainda preservava os vestígios de várias plantas.

A descoberta revelou que a bolsa poderia conter de quatro ou cinco plantas diferentes, mas pelo menos três foram identificadas. "Nós já sabíamos que os psicotrópicos foram importantes nas atividades espirituais e religiosas das sociedades do centro-sul do Andes, mas não sabíamos que essas pessoas estavam usando tantos compostos diferentes e, possivelmente, combiná-los juntos", disse o antropólogo José Capriles de Estado de Penn. "Este é o maior número de substâncias psicoativas já encontradas em uma única assembleia arqueológica da América do Sul".

Ao longo da história, os seres humanos de todo o mundo usavam substâncias à base de plantas para alterar a percepção. Na maioria dos casos, eram usadas em contextos religiosos e em rituais. Distinguir quais plantas e como eram usadas pode nos ajudar a entender melhor sobre as suas motivações culturais.

Os alucinógenos

Os pesquisadores usaram cromatografia líquida e espectrometria de massa para identificar quantas e quais substâncias estavam presentes na bolsa.

"Traços químicos de bufotenina, dimetiltriptamina, harmina e cocaína, incluindo seu produto de degradação benzoilecgonina, foram identificados, sugerindo que pelo menos três plantas contendo esses compostos eram parte da parafernália xamânica", escreveram os pesquisadores em seu artigo.

"Este também é um caso documentado de um pacote ritual contendo tanto harmina quanto dimetiltriptamina, os dois principais ingredientes da ayahuasca, um chá psicodélico à base de plantas", continuam.

Não é possível avaliar somente a partir desta descoberta como as plantas eram usadas. No entanto, isso mostra que os habitantes do Vale do Rio Sora já sabiam sobre as propriedades das plantas há pelo menos mil anos.

Os pesquisadores acreditam que a bolsa tenha pertencido a um xamã, justamente pela parafernália encontrada junto com ela. Os xamãs eram líderes espirituais, que sabiam como usar as plantas para alterar o estado de percepção natural. Eles as usavam para tentar se comunicar com o mundo espiritual.

Como as plantas encontradas na bolsa não são típicas daquela região, os pesquisadores acreditam que eles buscavam esses psicotrópicos em lugares distantes.

"Nenhum dos compostos psicoativos que encontramos vem de plantas que crescem nesta área dos Andes, indicando a presença de redes de troca elaboradas ou o movimento deste indivíduo através de diversos ambientes para obter essas plantas especiais", disse a arqueóloga Melanie Miller, da Universidade de Otago.

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Cristyele Oliveira
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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