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Cientista foi chamado de tolo por sua pesquisa e anos depois ganhou o Prêmio Nobel de Medicina

POR Bruno Destéfano    EM Compartilhando coisa boa      22/04/19 às 15h40

Jim Allison tem sido o tímido herói por trás de uma das pesquisas médicas mais inovadoras dos últimos tempos. Antes de ganhar o prêmio Nobel por suas notáveis contribuições, ele teve que trabalhar incansavelmente para legitimar suas teorias contra uma cética comunidade científica. Mal esperava que todas as humilhações uma hora ou outra valeriam a pena. A sua busca inalcançável, amparada pela experiência de vida, falou mais alto do que todo o ceticismo que recebera ao longo de seus estudos. Ele chegou a ser chamado de tolo por sua pesquisa e anos depois ganhou o Prêmio Nobel de Medicina. Isso é que eu chamo de superação e reconhecimento.

Nos anos 1990, ninguém confiava em Allison. A sua alegação de que o sistema imunológico poderia combater o câncer parecia ilusória e pouco fundamentada. Apesar de ser refutado algumas vezes por pesquisadores médicos e empresas farmacêuticas, o cientista desenvolveu a base para remédios imuno-oncológicos - também conhecidos como "lpi".

"Eu não formalizei este trabalho para tentar curar o câncer, mas quando vi as implicações para os pacientes em todo o mundo, eu estava determinado a construir remédios para pacientes com câncer!", afirma Allison, que é professor, presidente de imunologia e diretor executivo da plataforma de imunoterapia da Universidade do Texas.

Inspirações

Quando Allison tinha 11 anos, sua mãe sempre apresentava sintomas de queimaduras no pescoço. Ela estava lutando contra o linfoma e os machucados eram resultados de sua terapia de radiação. O cientista era o pequeno garoto que segurava a mão dela sem entender o que a deixara tão doente.

"Então, um dia, eu entrei e eles disseram: 'Sente-se com sua mãe'. E ela morreu logo em seguida. Eu realmente não sabia o que era. As pessoas naqueles dias nem falavam sobre câncer. Eu só descobri alguns anos depois, com meu pai conversando com meu irmão mais velho", disse. Depois disso, Allison também perderia um irmão e dois tios para o câncer, além de ele mesmo enfrentar o câncer em três circunstâncias diferentes.

A luz em meio ao caos

No vazio criado pela morte de sua mãe, Allison voltou-se para a ciência aos 16 anos de idade. Em 1977, ele e um colega escreveram uma carta à revista Nature sobre o andamento de sua pesquisa em "células T". A teoria inicial era a de que o sistema imunológico não poderia ser atacado por células cancerígenas. A partir daí, ele desenvolveu com afinco a ideia em diferentes partes dos Estados Unidos, de Austin e Berkeley, na Califórnia, à Nova York e Houston.

Os tratamentos de câncer por meio dos remédios imuno-oncológicos - lpi - trataram com sucesso mais de um milhão de pessoas em todo o mundo. O ex-presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, foi uma delas.

Jornada em andamento

Como forma de agradecê-lo por seus consideráveis esforços, Allison foi copremiado com o prêmio Nobel de Fisiologia/Medicina em 2018. Além disso, o diretor de cinema Bill Haney lançou um documentário sobre o cientista no mês passado, que se chama Breakthrough. 

"Eu estava interessado em fazer um documentário que unisse os americanos", disse o diretor Bill Haney. "Uma das bênçãos do trabalho de Jim é que não há americanos - ricos, pobres, norte, sul, vermelho, azul - que são pró-câncer. Ao observar o incrível trabalho de Jim e sua equipe de colaboradores inspiradores, podemos ver como trabalhar juntos para o bem comum. A revolução científica que Jim desencadeou na imuno-oncologia está mudando a vida de milhões de pacientes e suas famílias, em todo o mundo".

Na noite da estreia do filme, Allison, que ainda não tinha visto o documentário, deixou-se dominar pelas emoções. "Não é uma história acabada, a propósito. Nós temos muito mais trabalho a fazer. É uma jornada em andamento", disse para uma multidão extasiada.

Jim Allison foi chamado de tolo por sua pesquisa e anos depois ganhou o Prêmio Nobel de Medicina. Dá para imaginar? Apesar dos pesares, ele levantou-se contra o ceticismo na ciência e trouxe luz para muita gente. Obrigado, Jim!

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Bruno Destéfano
Escritor, fotógrafo e jornalista // Deixe que o conhecimento te revolucione de dentro para fora.
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