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Como era a seita que o Tim Maia participava?

POR Cristyele Oliveira    EM Curiosidades      25/01/20 às 17h54

Tim Maia foi um cantor, compositor, maestro, produtor musical e instrumentista brasileiro. Ele foi um dos responsáveis por introduzir os gêneros soul e funk na música popular brasileira e se tornou um dos maiores ícones da música no país. Assim como vários artistas da época, Tim tinha uma vida bastante conturbada, envolvimento com drogas e acusações de violência. Mas em 1974, a vida do cantor estava prestes a mudar, mesmo que por um breve período de tempo.

Depois de lançar três grandes álbuns de sucesso, Tim já era um ícone da música brasileira, alcançando relevância até internacional. Nessa época, ele conheceu uma seita estranha chamada Cultura Racional. Se você é familiarizado com as obras do artista, deve conhecer o disco Tim Maia Racional. Esse álbum foi feito, durante a época em que o cantor se converteu à bizarra seita.

Tim ficou maravilhando com a palavras que leu em um livro, chamado Universo em Desencanto. Ele fez tal leitura enquanto estava sob efeito de alucinógenos. Dali em diante, ele começou a tomar as palavras do autor da obra, o guru Manoel Jacintho Coelho, como verdades absolutas. Foi a partir daí, que a sua vida mudou completamente.

A ideologia mística

Ao converter-se a essa seita, Tim mudou a sua vida e a sua arte. Com um disco praticamente pronto, ele decidiu mudar as letras da músicas, acrescentando palavras e frases dos livros racionais. Na época, ele chegou a romper com a sua gravadora, porque eles não concordaram com a ideia de fazer um álbum inteiro, baseado no misticismo dessa seita.

No livro, Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia, o jornalista Nelson Motta conta um pouco da experiência do cantor, com a sua nova ideologia de vida. O autor chega a narrar a principal tese do Universo Racional, que diz o seguinte: "nós somos originários de um planeta distante e perfeito e estamos na Terra exilados. Aqui, nós vivemos na animalidade, sujos e magnetizados, sofrendo nesse vale de lágrimas. A única salvação é a imunização racional, que se conquista lendo o livro e seguindo seus ensinamentos. Só assim podemos nos purificar e ser resgatados pelos discos voadores de volta ao nosso planeta de origem: o Racional Superior".

Depois de se converter à seita, o cantor parou de usar drogas, de beber, passou a usar apenas branco, e não consumir mais carne vermelha. Ele também livrou-se de seus bens materiais e considerou que só faria sexo, com o intuito de reprodução.

Influência na carreira

Deslumbrado com a lei da racionalização, Tim também aplicou essa ideologia a todos os membros de sua banda. Os músicos teriam que aderir a todas as regras impostas pelo movimento racional, assim como ele. Caso não concordassem, eles seriam demitidos.

Eles deveriam ler os livros, vestir branco e pintar todos os instrumentos de amarelo. Tudo isso, para não contrariar o cantor, que estava completamente hipnotizado com esse movimento. "Eu não sei se acreditávamos ou não, mas fazíamos o que ele queria. A gente estava tocando com o cara", disse Serginho Trombone, um dos músicos da banda na época.

"Os músicos bem que tentaram ler o livro, mas era uma doutrina muito louca até para o padrão Maia. Um bestialógico absolutamente ininteligível, que de racional não tinha nada, muito pelo contrário", escreve Motta, na biografia de Tim.

Tim Maia, agora, estava usando a sua influência na música, para divulgar a Cultura Racional ao mundo. Tudo isso na tentativa de converter mais pessoas ao movimento. Foi nesse período, que ele lança a trilogia de discos "Tim Maia Racional".

O fim de uma era

No entanto, a fase mística do cantor não iria durar muito tempo. "No dia 25 de setembro de 1975, Tim acordou com uma vontade louca de comer uma carne sangrenta, tomar um goró e fumar um baseado. Teve uma desiluminação e abandonou a seita no seu velho estilo, quebrando tudo. Voltou para o apartamento da Figueiredo Magalhães, tirou e queimou a roupa branca e, nu e furioso, foi para a janela e começou a gritar para a rua, em volume máximo, que seu Manoel Jacintho era um pilantra, um ladrão e um tarado que comia todo mundo. E convocou a imprensa para dizer que tinha sido enganado e roubado pelo ex-guru", escreve Motta.

Depois disso, ele quebrou quase todos os seus discos da fase racional. Tim voltava à vida normal que ele tinha, "à devassidão, e não queria nem ouvir falar em nada que lembrasse o Racional Superior. Estava imunizado".

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Cristyele Oliveira
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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