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Como foi a morte de Chorão?

POR Diogo Quiareli    EM Último Dia      22/10/19 às 14h45

Você já deve ter ouvido falar de Alexandre, ou melhor, Chorão. Afinal, esse é o nome de um dos maiores artistas do cenário pop/rock nacional de todos os tempos. O ídolo de toda uma geração nos deixou, no entanto, seu legado continua. Chorão foi inspiração para diversos jovens e sua ideologia era capaz de guiar várias pessoas. Sua morte fez com que, assim, algumas pessoas passassem a buscar por mais informações a respeito.

A princípio, buscam sobre a origem do grupo e a vida pessoal do cantor, até chegar à sua morte. Como Chorão morreu? Como foram os seus últimos dias? Pensando nisso, nós da Fatos Desconhecidos, a fim de sempre oferecer o melhor conteúdo, resolvemos trazer essa matéria. Confira conosco a seguir e surpreenda-se.

História de Chorão

Alexandre Magno Abrão. Esse é o verdadeiro nome do eterno ídolo do pop rock brasileiro. Conhecido como Chorão. Trata-se do nome, por trás da banda Charlie Brown Junior. Um artista, que além de ter marcado a história por suas músicas originais, que conquistaram a juventude, também se tornou marcante por partir bem cedo. Isso, por conta da vida que levou, e até mesmo do sucesso que atingiu.

Chorão tinha voz marcante, letras um tanto rebeldes e um estilo desleixado. Essas eram as coisas que marcavam o cantor, além de sua ideologia e seu jeito simples e humilde de ver e levar a vida, é claro. Chorão não era só cantor. Ele foi compositor, cineasta, roteirista e, até mesmo, empresário empresário. Realmente, uma verdadeira caixa de talentos. Inclusive, sua agitada, e também atribulada vida, começa inclusive em suas muitas funções.

Como todos já sabem e lembram ao ouvir o nome "Chorão", ele era o vocalista, principal letrista e cofundador da banda, Charlie Brown Júnior. O grupo era natural da cidade de Santos, no litoral paulista. A primeira formação foi feita em 1992, quando Chorão se juntou com Renato Pelado, Marcão, Champignon e Thiago Castanho. Ele permaneceu na banda até o fim, sendo o único integrante a participar de todas as formações. Com o Charlie Brown, Chorão lançou dez discos, se mantendo, desde sempre, entre os grupos mais influentes do Brasil. A banda parecia viver o auge no mundo artístico, chegando a vender mais de cinco milhões de cópias de discos, o que foi um grande marco.

A caminhada até a fama

A fama de Chorão era conhecida por quase todos brasileiros. Ao contrário da história de Alexandre, por trás do apelido que o tornou tão aclamado. E pode-se dizer que essa história comovia, e muito, as pessoas que a conheciam. Para começar, ele atravessou uma infância e uma adolescência bastante difíceis. Sua mãe era doméstica, fazia pastéis e cozinhava fora. Alexandre que  fazia as entregas, inclusive. O garoto vivia na rua, ia mal na escola e precisou abandonar os estudos bem cedo, ainda na sétima série.

Frequentemente, tinha problemas com a polícia, o que o inspirou, em várias situações, a fazer músicas para se expressar, protestar e questionar. Na juventude, nessas circunstâncias de conflito e busca que de identidade, que ele decidu apostar em sua carreira artística. Com 21 anos, foi finalmente convidado a integrar uma banda com Champignon. A tal banda se chamava What"s Up, mas acabou não dando nada certo. Foi aí que veio a ideia de montar sua própria banda. Nasceu então o Charlie Brown Júnior, e com ele, um pouco da vida de glória e ainda mais transtornos na vida do músico.

Com essa ideia, o primeiro baterista foi chamado. Era Renato Pelado, que vinha de outras bandas e que poderia ser uma grande força para o grupo. Mais tarde, foi a vez de Marcão e Thiago Castanha completarem a primeira formação da banda, que estava prestes a decolar e conquistar toda uma geração. Muita gente se pergunta, de onde surgiu esse nome. E bem, a história é um tanto engraçada. Chorão, certa vez, comentou que a escolha do nome foi feita em 1992, quando ele chegou em uma barraca de água de coco, onde havia um desenho de Charlie Brown, o personagem animado, dono do Snoopy, o cachorro. Vocês se lembram dele?

O começo da banda

Por impulso e um sopro de consciência, decidiu que assim se chamaria sua banda. O Júnior veio porque os rapazes da banda se consideravam os filhos do rock, então, julgavam que era algo que cabia perfeitamente. De acordo com o cantor, eles se consideravam herdeiros de músicos e de bandas como Raimundos, por exemplo. Isso o fazia acreditar que poderiam dar continuidade a um legado. Inclusive, Chorão chegou a enfatizar que, nos anos 1990, Rodolfo Abrantes, o vocalista dos Raimundos, era o melhor do Brasil.

Além de Raimundos, os membros do Charlie Brown Junior tinham como inspiração vários nomes. Esses eram Nirvana, Red Hot Chili Peppers, Nação Zumbi e até Planet Hemp. Exemplos determinantes para influenciar o estilo musical do grupo. Em 1993, ainda na primeira formação, Chorão começou a se apresentar em festivais de Santos e de São Paulo. Logo vieram os shows, em eventos de skate.

Com isso, Rick Bonadio, produtor dos Mamonas Assassinas, se interessou por eles e os contratou. Assim, veio o primeiro disco na gravadora. Nascia aí, o álbum Transpiração Contínua Prolongada. A grande carreira de Alexandre, ou melhor dizendo, de Chorão, estava ganhando forma.

Era o momento em que sua vida começara a mudar. Ele poderia ter uma vida diferente do que havia tido. Poderia deixar para trás, se quisesse, problemas vividos antes de conseguir, tão rapidamente, deslanchar sua carreira. Para se ter uma ideia, o primeiro disco vendeu 500 mil cópias, surpreendendo a todos. Em suma, a banda então fez sua entrada na lista das mais influentes do país, subindo, continuamente, com o passar dos anos. Entretanto, todo sucesso parecia ter um preço, cobrado do músico em tempo, energia e dedicação. Nesse ínterim, a vida ficava mais e mais agitada e os compromissos ocupavam cada vez mais espaço na realidade do artista. 

Os baixos da vida

Como todo mundo, Chorão passou por altos e baixos nessa vida cada vez mais frenética. Certamente, o pior período de sua vida, talvez, tenha sido em meados de 2000, quando seu pai faleceu. Posteriormente, a banda, entendendo a situação do vocalista, decidiu dar um tempo, até ele se recuperar da grande perda. Esse tempo parado mudou sua mente e até sua aparência física. Ele deixou a barba crescer, engordou mais de 20 quilos e estava desmotivado. Ficou quase irreconhecível. Ainda assim, diante de um possível declínio, Chorão refletiu e decidiu dar a volta por cima na vida. Não era hora, AINDA, de deixá-la. E ele faria isso pelo pai.

Durante o tempo, em que ficou ausente, seus amigos de banda continuaram estudando música e aperfeiçoando o manuseio dos instrumentos. Nesse período, suas músicas já gravadas, e tão bem difundidas, permaneceram nos ouvidos do público. Posteriormente, o retorno de Chorão deu início a mais uma alavancada da banda. Charlie Brown Júnior continuava crescendo exponencialmente, e conforme o tempo passava, eles alcançavam grandes números, no Brasil, e até fora daqui. Com shows lotados e músicas em trilhas sonoras, eles se consolidaram como os maiores artistas do rock nacional. Cravaram sua existência, de forma inesquecível, num gênero, antes subestimado. 

Aparentemente, Chorão e sua banda viviam uma estabilidade, mesmo em meio ao frisson, que todo sucesso impunha. Incluindo agendas lotadas, rotinas atribuladas e muito, mas muito tempo de trabalho. Não parecia que algo poderia dar errado. Entretanto, essa ideia mudou, no dia 6 de março de 2013. 

A Morte

A data da morte de Chorão pegou os fãs, e todo o país, de surpresa, espalhou uma tristeza sem precedentes, pelo cenário musical, de uma forma estarrecedora. Chorão não lutava contra nenhuma doença. Era a mente que ditava melodias ecoadas por multidões, autor das letras com profundidade e até mesmo reflexões, que inspiravam e motivavam tantas e tantas pessoas. Sua morte foi repentina, sorrateira. Surpreendentemente, apenas aconteceu sem dar indícios claros de que estava a caminho. 

O motorista do cantor, Klébber Atala, foi quem encontrou seu corpo, na madrugada daquele dia 6, em seu apartamento, localizado em São Paulo. Pouco depois, que o socorro havia sido chamado, a constatação do óbito se espalhou, rapidamente.

Chorão teve uma overdose de cocaína, conforme apontou o laudo necroscópico. Acredita-se que ele tenha morrido entre o dia 4 e 5 de março, pois o seu corpo, quando achado pelo motorista, já estava entrando em um estado avançado de decomposição. A notícia de sua morte fez o Brasil parar, incrédulo, desprevenido ao se ver perdendo um de seus artistas mais icônicos.

A morte abrupta de Chorão trouxe à tona detalhes, que não apareciam na mídia. Revelou o que ninguém notava por baixo das agendas, dos shows e até mesmo das músicas, de humores tão variados. Ora com xingamentos, ora com declarações de amor, que emocionavam. A partida súbita de Chorão, assim como a impactante causa de sua morte, acabou por revelar como foram os meses que antecederam o fatídico dia 6. Segundo relatos de pessoas próximas, Chorão teria passado por momentos de irritação, euforia, paixão, generosidade, paranoia e reclusão.

Últimos Dias

Em seus últimos dias, ele procurou velhos amigos, na rádio UOL 89 FM, e até se declarou para a ex-mulher, afirmando que a amaria para sempre. Mas a impulsividade e intensidade eram marcas do músico, e ninguém imaginou que algo mais poderia estar o atormentando. Para alguns, Chorão contou que estava se sentindo perseguido, mas disse que não conseguia explicar muito bem essa sensação. Do mesmo modo, falou que pensava ser uma paranoia. Hoje, acredita-se serem efeitos do uso, ou ainda da abstinência, das drogas, que já começavam a perturbar, de modo mais agressivo, a mente de Chorão.

Seu último show foi marcante. O cantor se envolveu em uma briga, com um dos seus fãs que acompanhavam o concerto, e no mesmo dia, ainda prometeu um emprego a outro admirador. Atitudes bem extremas, num curto prazo. Talvez, novamente uma bipolaridade, incitada por sua vida agitada e por seus hábitos nada saudáveis, como dormir pouco e o próprio abuso de substâncias ilícitas.

No dia 26 de janeiro, do ano em que morreu, Chorão subiu no palco, da casa noturna Maria"s, em Balneário Camboriú. Ele falou algo como: "Foi aqui que eu fiz aquele show ruim no ano passado, né?". E foi também lá, onde ele realizou o seu último show, comandando o Charlie Brown Júnior.

Seis meses, antes desse dia, eles haviam se apresentado, no mesmo lugar, mas o que ficou marcado, naquele dia, foi um discurso feito pelo cantor no início do show. Ele estava receptivo, parecia aberto, expressivo. Inclusive, na ocasião, falou sobre o fim do seu casamento, de 15 anos, com a estilista Graziela Gonçalves. De acordo com os funcionários da casa de shows, Chorão estava feliz, bem acessível e prometeu se redimir com seu público, naquela noite.

Show marcante

Naquele dia, três mil ingressos tinham sido vendidos. Havia bastante pessoas, querendo ver a banda tocar. Tudo seguia bem, até que Chorão discutiu com o fã, no final da apresentação. O garoto, que estava na plateia, teria mostrado o dedo do meio a ele, que não gostou nem um pouco.

Após isso, a banda decidiu tirar férias, por conta do Carnaval, e nesse período, Chorão passou a maior parte do mês de fevereiro em São Paulo. Estava sozinho, revezando hospedagens em hotéis da capital. Mariela Gonçalves, irmã da ex-mulher do cantor, disse que ele ligou para Graziela, todos os dias. No dia 26 de fevereiro, Chorão foi a um restaurante em São Paulo, e lá, deu o que pode ter sido o seu último autógrafo, ao manobrista do estabelecimento. Ele ficou duas horas no local, com dois homens, e na saída, conversou com o fã, por cerca de dez minutos.

Dois dias depois, no dia 28, Chorão apareceu, de surpresa, acompanhado de seu filho Alexandre, na rádio UOL 89FM, em São Paulo, como mencionei brevemente acima. Ao lado de velhos conhecidos, ele entrou ao vivo, em um dos programas da rádio. Nesse ínterim, disse que não estava ali representando o Charlie Brown e sim, que estava falando como um grande fã dos locutores. Ainda no dia 28 de fevereiro, saindo da rádio, Chorão procurou por sua ex-mulher, a Graziela, em São Paulo. Ela não sabia que aquela seria a última vez que veria o seu ex-marido, pessoalmente, e vivo. Alguns familiares chegaram a afirmar que o astro sofria de uma profunda depressão, por conta do divórcio com Graziela, que inclusive nem havia sido oficializado. 

O medo da mídia

Chorão dizia ter medo do que a crítica poderia publicar sobre ele. Nesse período afastado, ele passou muito tempo com Klébber Atala, o seu motorista. Basicamente, ele foi a pessoa mais próxima do cantor, nos dias que antecederam a sua morte. Klébber conhecia Chorão há nove anos.

O motorista, em entrevistas posteriores, disse que nunca tinha visto o cantor tão deprimido, mas que tinha certeza de que ele nunca teria cogitado suicídio. No sábado, dia 2 de março, Atala e Chorão tomaram café da manhã juntos, no hotel Renaissance, onde o cantor passou o resto do seu dia. Chorão mudava de hotel, constantemente, pois tinha medo da mídia e do que eles fossem dizer. Depois disso, Chorão então pediu para o motorista o levar para Santos, sua cidade. A viagem, no entanto, não aconteceu e o motorista deixou o músico em seu apartamento, no bairro de Pinheiros, no domingo, dia 3 de março. Chorão não tinha telefone fixo. Quando Klébber ligou, o cantor simplesmente não atendia o celular, fazendo com que fosse preciso recorrer ao porteiro.

De acordo com o funcionário, Chorão estava sempre sozinho lá, nunca com amigos. O homem ainda falou que a última vez que viu Chorão foi na segunda-feira, 4 de março, no final da tarde. Em síntese, ele teria avisado na portaria, que ficaria uns dias, em seu apartamento, mas tudo começou a ficar estranho, quando ele não saia de lá, absolutamente, para nada. No dia 5 de março, um dos vizinhos de Chorão disse ter ouvido barulhos altos em seu apartamento, pareciam móveis sendo arrastados. O porteiro ligou no interfone, mas não conseguia falar com o músico. E foi na madrugada de terça para quarto, dia 6 de março, que tudo veio à tona.

Encontrando Chorão

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Posteriormente, após abrirem, à força, o apartamento, os funcionários e seu motorista entraram e se depararam com pisos de madeira arrancados, um buraco feito na parede, embalagens de bebidas, cartelas de remédios, vestígios de sangue, além de claro, muito pó branco espalhado pelo chão. Na cozinha, o corpo de Chorão prostrado no chão, e em toda aquela mórbida cena, o fim de um fenômeno musical, de uma das personalidades mais incríveis a doarem seu talento à música nacional. Em suma, a morte de Alexandre foi seguida por muito barulho na imprensa, ainda que a mesma não tenha sido autorizada a participar dos ritos finais, que aconteceram na cidade natal do músico, Santos. Amigos, fãs e familiares acompanharam o cortejo e todo o funeral. A mãe do cantor, dona Nilda, passou mal no momento em que o Chorão era enterrado e teve de deixar o local. Do mesmo modo, os presentes afirmaram que o clima era de inconformidade e desolação. Surpreendentemente, um skate foi colocado ao lado do corpo de Chorão. 

Chorão deixou este mundo sob aplausos, como já havia se acostumado a ser ovacionado, nas despedidas de todos os shows que sua banda fazia. Por outro lado, desta vez, era também uma despedida, mas os aplausos eram de lamento, saudade e pesar. 

Sua figura permanece muito lembrada, suas músicas, ainda hoje, ouvidas, e até mesmo, continua a pairar a reflexão sobre a vida, aparentemente glamourosa, de muitos famosos. Onde o tão notável sucesso pode, muitas vezes, esconder realidades polêmicas, rotinas desregradas, problemas pessoais, de saúde e sacrifícios que, definitivamente, não valem a pena. 

E aí, o que você achou dessa matéria? Comenta pra gente, afinal, seu feedback é muito importante.

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Diogo Quiareli
Geminiano, 25 anos, goiano.
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