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Como um canal do Youtube levou a polícia a investigar 1.200 brasileiros por tráfico de maconha?

POR Natália Pereira EM Curiosidades 22/11/17 às 16h09

capa do post Como um canal do Youtube levou a polícia a investigar 1.200 brasileiros por tráfico de maconha?

Em um canal no YouTube chamado thcproce eram publicados vídeos e respostas sobre o cultivo da cannabis. Dentre os temas do canal é possível encontrar informações sobre a germinação das sementes, o "sexo" da planta, sendo esta macho ou fêmea, e dicas para o cultivo da maconha em casa. O criador do canal, Sérgio Delvair Costa, um brasileiro de 52 anos, foi preso por tráfico de drogas e acusado de criar uma cooperativa com a participação de 1.200 plantadores de maconha no país.

Sérgio era um professor de tecnologia da informação e segurança eletrônica que tinha, até o momento, apenas uma passagem por uso de entorpecente. O canal tem publicações de até quatro anos atrás e em junho deste ano a polícia invadiu sua casa em Brasília. Junto com ele foram encontrados 120 pés de maconha e sua condenação pode chegar a até 20 anos em regime fechado, com agravantes.

Cooperativa

O canal pretendia incentivar o plantio da maconha pelo país. Além de ser usado como atrativo para possíveis cooperadores para quem ele pudesse distribuir suas sementes. Segundo ele mesmo em seus vídeos outra das intenções era aumentar o plantio para evitar a compra de "maconhas com cocô" e combater o tráfico. Com a prisão de Sérgio, e as investigações abertas contra as 1.200 pessoas de sua rede de distribuição, seus seguidores no YouTube não estão fora da mira da polícia.

De acordo com o delegado Francisco Antonio da Silva, titular da 20ª DP (Gama), em uma entrevista à BBC Brasil, a Cooperativa de Cultivadores do Brasil (CCB) utilizava os Correios para transportar as sementes. O produto era enviado para os interessados que pagavam uma taxa mensal para recebe-los. A mercadoria era enviada para todo o país e o objetivo dos policiais agora é encontrar essas pessoas e descobrir qual o envolvimento delas nesse sistema de tráfico.

Investigação

Foram encontrados documentos contendo o endereço e telefone dos integrantes da cooperativa no computador de Sérgio. Apesar de conter os dados de todos os participantes, a maioria ainda não foi identificada já que as informações foram codificadas. Os documentos contém todas as suas relações com os clientes e passam por um processo de descodificação. O produtor afirmou fumar maconha há 20 anos e confessou que enviava sementes para seus seguidores. Caso o envolvimento de seus seguidores seja comprovado elas poderão enfrentar processos por associação ao tráfico e até por tráfico de drogas.

O advogado de defesa de Sérgio, Emílio Figueiredo, é membro da Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas e afirma ser uma perda de tempo investigar os seguidores do canal já que não há provas de que a relação deles configure algum crime. O advogado também ressalta em seu discurso que não tem como saber se essas pessoas estão cultivando cannabis e que o foco da polícia deveria estar em crimes mais graves. De acordo com o delegado da investigação o inquérito principal contra Sérgio já foi enviado para a justiça e espera pela resposta do Ministério Público. A investigação aguarda a resposta para saber se terá o auxilio da Policia Federal para investigar outras regiões do país.

Valores

De acordo com os dados da investigação a mensalidade cobrada aos cooperadores variava entre R$32,80 e R$74,80. O seu canal no YouTube levava como slogan "plantar para não comprar" e conta com mais de 54 mil inscritos. O proprietário do site afirmou ser dono da plantação de maconha encontrada pela polícia e que fuma desde os 16 anos. De acordo com ele distribuições eram feitas para seus seguidores sem que fosse cobrado nada, apesar de pedir uma contribuição de R$30 para aqueles que tivessem condições.

Depoimento

A investigação contra Sérgio foi nomeada como Mata Atlântica e partiu de uma denuncia anônima que afirmava que ele estaria cultivando uma grande quantidade de maconha em seu quintal. Antes da operação os policiais usaram um helicóptero para fazer imagens aéreas de sua casa. Além da plantação apreendida pela polícia também foram levados os fertilizantes e sementes de envio. O advogado de Sérgio protesta quanto a apreensão das sementes afirmando que elas estão em um limbo jurídico, não podendo ser consideradas como entorpecentes.

Ameaças

Um último vídeo foi gravado para o canal thcproce por três policiais civis após a apreensão de Sérgio. Os três policiais participaram da operação que capturou o produtor de entorpecentes e postaram o vídeo gravado no canal do acusado. Na gravação eles informavam aos seguidores da página que possuem o endereço de cada um deles e que iriam bater na porta de suas casas. Além dessa afirmação os policiais também dizem que todos eles irão responder por tráfico de drogas e associação ao tráfico. Para finalizar a gravação, um dos agentes diz que aquele seria o ultimo vídeo do canal e que aqueles que não são a favor da legalização da maconha deveriam compartilhar o vídeo para que as pessoas vejam que a polícia está na ativa.

Emílio, o advogado de Sérgio, diz que a atitude dos policiais foi ilegal e se tratava de abuso de autoridade. Ele também diz que eles violaram o sigilo telemático e publicaram conteúdo sem autorização em uma conta pessoal. Além de constrangerem e ameaçarem pessoas pela rede social e divulgarem o numero de telefone de alguns dos usuários e da mãe de uma pessoa que se opôs a eles no Facebook.

Protesto

A prisão de Sérgio Delvair Costa gerou uma série de protestos nas internet. Hashtags como "#LiberdadeTHCProcê" se tornaram populares no Twitter e no Facebook com a intenção de pedir para que ele fosse solto. A defesa de Sérgio diz ter noção da complexidade das acusações mas afirma estar tranquila e confiante de que provará que a plantação do acusado era apenas para uso pessoal. O seu caso se assemelha ao de Geraldo Antônio Baptista, ou Ras Geraldinho, acusado por tráfico de drogas em 2012 após ser encontrado com uma plantação de 37 pés de maconha. Geraldo ainda está preso no interior de São Paulo.

Encerramento

Após cinco meses preso em regime fechado, o produtor de cannabis Sérgio Delvair Costa, do canal thcproce, poderá responder o processo em liberdade. Depois de ser liberado, Sérgio continuou com seu canal e com os vídeos da mesma forma, mantendo os seus projetos anteriores e com o seu conteúdo sobre a produção e uso de entorpecente. O último vídeo colocado por ele no canal fala sobre os "10 mandamentos de um cannabista" e foi postado nesta semana.


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Natália Pereira
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