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Concha mostra que antigamente os dias antigamente eram mais curtos

POR Bruno Dias EM Curiosidades 10/03/20 às 16h57

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Um ditado diz que a Terra dá voltas, e claro, que é uma verdade. Todos sabemos que a rotação do nosso planeta é o que faz com que os dias passem. Um dia, é uma unidade de tempo, em um intervalo de 24 horas. A duração média de um dia solar na Terra, é de 86.400, ou seja, 24 horas.

Mas nem sempre os dias tiveram essa duração. No fim dos tempos dos dinossauros, a Terra girou mais rápido. De acordo com um novo estudo belga, os dias eram mais curtos nessa época há 70 milhões de anos. Essa descoberta foi feita analisando os anéis de crescimento diário de moluscos antigos, que foram extintos do cretáceo tardio.

O molusco chamado Torreites sanchezi crescia muito rápido e era formado por várias camadas de anéis de crescimento diário. Os pesquisadores usaram laser, para fazer microburacos na concha desses moluscos, para conseguir analisar todas as camadas. E com isso, conseguir determinar o número de dias em um ano.

Com isso, eles conseguiram ver quanto era a duração de um dia, há 70 milhões de anos. Eles descobriram que nosso planeta rotava 372 vezes por ano. Atualmente ela roda 365. Isso significa que um dia durava na verdade 23 horas e meia.

Como esses moluscos, tinham uma taxa de crescimento muito alta, eles acumulavam vários anéis por dia. E isso revelou detalhes sem precedentes de como esse animal vivia e as condições da água em que ele crescia.

"Temos cerca de quatro a cinco pontos de dados por dia. E isso é algo que você quase nunca obtém na história geológica. Basicamente, podemos ver exatamente como era um dia, há 70 milhões de anos. É incrível", disse Niels de Winter, geoquímico analítico da Vrije Universiteit Brussel e autor principal do estudo.

Estudo

Normalmente, os estudos sobre o passado falam sobre as mudanças de longo prazo que aconteceram em um período de tempo também muito grande, de aproximadamente milhares de anos.

Mas essa nova pesquisa é diferente. Ela consegue mostrar as alterações de um ambiente na escala de um tempo dos seres vivos. E isso pode ajudar os cientistas a entenderem melhor e conseguir preencher várias lacunas sobre os modelos climáticos e também até espaciais.

A pesquisa foi feita em um único ser, que viveu por mais de nove anos no fundo de um mar raso nos trópicos. Hoje em dia, o lugar é seco e fica localizado nas montanhas de Omã.

O molusco analisado tinha duas conchas que se encontravam em uma dobradiça. Ele crescia em recifes densos da mesma forma que as ostras modernas fazem. O habitat dele era em água mais quentes do que as que são os oceanos de hoje em dia.

Depois de ter sido feita uma análise química, ela mostrou que a temperatura dos mares era maior do que a que os pesquisadores pensavam para o Cretáceo tardio. Ela chegava aos 40º Celcius no verão e mais de 30º no inverno. As temperaturas, no inverno, provavelmente, se aproximavam de um limite fisiológico para os moluscos.

Molusco

Na época, o Torreites sanchezi e moluscos parecidos dominavam a construção dos recifes nas águas tropicais no mundo todo. Eles faziam um papel parecido com o dos corais atualmente. E eles desaparecem no mesmo tempo que os dinossauros, há 66 milhões de anos.

Outra descoberta feita pelos cientistas foi que a composição da concha desse molusco mudava durante um dia ao invés de mudar com as estações ou com os ciclos das marés. O exame feito nessas camadas mostrou que elas cresciam mais rápido durante o dia do que à noite.

Esse resultado mostra que a luz do dia era importante para o estilo de vida do molusco. E até mais do que o esperado se ele se alimentasse de filtragem de comida a partir da água.

Isso fez com que os pesquisadores concluíssem que ele tinha um relacionamento íntimo, com uma espécie que se alimentava de luz solar. Essa espécie se pareceria com as modernas ostras-gigantes que tem dentro algas.

"O bivalve tinha uma dependência muito forte desse ciclo diário, o que sugere que ele tinha fotossimbiontes", explica Winter.

Duração

O ano ter 372 dias não foi uma surpresa para os cientistas. Eles já sabiam que os dias eram mais curtos no passado. Mas essa nova contagem é a mais precisa já feita do cretáceo tardio. E a descoberta pode ser aplicada no modelamento da evolução do sistema Terra-lua.

O comprimento do ano tem sido constante na história do nosso planeta, porque a órbita ao redor do sol não muda. Mas o número de dias tem encurtado ao longo do tempo. Isso porque os dias estão ficando maiores conforme o atrito das marés do oceano, que é causado pela gravidade da lua e diminui a rotação da Terra.

As marés aceleram a órbita da lua. E a medida que o giro da Terra diminui ela vai se afastando. A lua se distancia 3,82 centímetros de nós por ano. Mas não foi sempre assim.

Esse distanciamento não foi sempre assim, porque se não a lua estaria dentro da Terra há 1,4 bilhão de anos. Essa taxa de distanciamento deve ter mudado ao longo do tempo.


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Bruno Dias
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