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Conheça a história do homem que foi prisioneiro da Al-Qaeda por 5 anos

POR Natália Pereira EM Curiosidades 14/11/17 às 17h36

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Stephen McGown é um sul-africano que ficou preso durante cinco anos na África sob o poder da Al-Qaeda, mais conhecida no Brasil com Alcaida, após sair em uma viagem de moto pela África e Europa.

Antes de partir em sua jornada, McGown e sua mulher Catherine, estavam planejando deixar Putney, cidade que viviam no sudoeste de Londres, para voltar a Johannesburgo, na África do Sul, lugar onde os dois cresceram e pretendiam construir sua família e construir um negócio de exportação de óleo de jojoba, que seria produzida na fazenda do seu pai.

O casal, que se conheceu em 2006 e se casou um ano depois, costumava ir ao campo nos fins de semana com os amigos. McGown trabalhava em um banco e Catherine era fonoaudióloga infantil. Enquanto ela organizava as coisas para que retornassem para Johannesburgo ele saiu para sua aventura. Grande parte da sua viagem foi feita junto com um outro motociclista chamado Fokke, vindo da Holanda.

Após chegar em mali, no dia 9 de novembro, os dois seguiriam para Burkina Faso mas mudaram seu trajeto para Timbuktu com outros turistas. McGown chegou na cidade antes de Fokke e fez check-in em um hotel junto com os outros turistas que conheceu em Marrocos.

Início da tragédia

Depois que os turistas retornaram de uma caminhada, no dia 25 de novembro, e foram para o pátio do hotel, um grupo de homens invadiu o local. Um dos turistas que o acompanhava gritou para que todos se abaixassem e, logo em seguida, um alemão resistiu e McGown ouviu o disparo.

O pai de Stephen, Malcolm McGown, que estava esperando pelo filho na sua casa em Johannesburgo recebeu uma ligação inesperada da mãe do holandês Fokke. Ela avisou o pai de Stephen que ambos haviam sido sequestrados pela Alcaida. Depois de tentar entrar em contato com alguns órgãos do governo e falhar, Malcolm ligou para filha que estava com Catherine em Londres. Apesar dos apuros enfrentados inicialmente, a esposa de Stephen, acreditava que logo iriam vê-lo de novo.

O cativeiro

McGown foi levado de carro até um local no deserto do Saara, ao norte de Mali. A viagem durou 15 horas e foi feita junto com outros réfens. Enquanto ainda estava viajando, o sul-africano que tinha dupla nacionalidade, lembrou que estava com seu passaporte britânico e o que já tinha ouvido falar sobre outros reféns britânicos na mesma situação que ele.

Após serem deixados no local de seu cativeiro os reféns foram avisados que estavam sob o domínio da Alcaida, no Magreb Islâmico - AQMI, grupo que lutava contra o governo argelino na década de 1990. O grupo costumava sequestrar cidadãos ocidentais que estavam no norte da África para trocá-los por prisioneiros islamitas e dinheiro.

Enquanto estavam no cativeiro os reféns recebiam frequentes ameaças de morte, vindas dos sequestradores que, de acordo McGown, falavam um péssimo inglês. Depois de acharem o passaporte britânico de Stephen o grupo ficou empolgado e mesmo depois de explicar para eles que era um sul-africano nascido e criado continuaram a trata-lo como britânico.

Os reféns eram vigiados por 17 jihadistas, portando armas e granadas. O grupo dos jihadistas, que incluía a Alcaida, tomou o poder em março de 2012. Devido o caus gerado o contato com os negociadores foi perdida. Um vídeo que foi ao ar em julho, através do YouTube, mostrava McGown e Johan com túnicas e longas barbas. Eles diziam na gravação que haviam recebido uma carta dos seus pais e que estavam saudáveis e recebiam bons tratos. McGown, apesar de ter recebido a carta autêntica, nunca pode lê-la já que ela foi tomada assim que o vídeo acabou.

No total se estima que 15 vídeos tenham sido gravados pelos reféns, mesmo que nem todos tenham ido ao ar.

Islã

Com a intenção de desenvolver uma melhor relação com os seus sequestradores, seis meses após o sequestro, McGown se converte ao islã. Ele afirma que a religião lhe deu estabilidade enquanto estava no deserto e que tinham muitas histórias parecidas com o cristianismo, na qual ele mantinha suas crenças.

Depois de sua conversão ao islã houveram mudanças significativas no tratamento sobre eles. Os outros reféns também passaram pela conversão e os sequestradores chegaram a ensiná-los o árabe, para que compreendessem o Alcorão.

A esperança

Da segunda vez que recebeu a carta da sua família ele teve a permissão para lê-la. Apesar de ter se sentido bem com a carta, e por saber como estava sua família e que tentavam resgatá-lo de lá, em janeiro de 2013 uma ofensiva de tropas francesas retomou o poder e McGown estava prestes a perder as esperanças já que poucos governos iriam considerar negociar com a Alcaida enquanto lutavam contra as forças do ocidente de Mali.

Nesse período os reféns eram transferidos toda semana e Johan decide fugir mas é encontrado e trazido de volta no dia seguinte. Como uma forma de repreende-los pelo ocorrido os poucos pertences que eles tem são retirados. Um ano depois outro dos reféns, Sjaak, é separado de mcGown e Johan, sendo levado para outro acampamento, no qual, anos depois pe libertado por tropas francesas.

O medo de McGown só crescia, perdendo as esperanças de ser resgatado e temendo que sua esposa desistisse dele. Até chegou a pensar que teria que aceitar se ela conhecesse outro homem nesse tempo.

Os mediadores

Enquanto Catherine tentava seguir a vida em Johannesburgo o pai de Stephen continuava tentando negociar a liberação do seu filho. até chegou a contratar um negociador independente, que não teve futuro.

Malcolm então entrou em contato com Imtiaz Sooliman, fundador de uma organização chamada Gigt of the Giver que a pouco tempo havia conseguido a liberação de uma sul-africana sequestrada pela Alcaida, no Iêmen.

O processo era longo e as mensagens eram passadas de pessoa para pessoa até que chegassem ao grupo. Em junho de 2015 um vídeo foi divulgado pela Alcaida como uma comprovação de que McGown estava vivo. Depois disso, em novembro, outro vídeo mostrava um agradecimento de McGown á ONG.

Após receber o vídeo a equipe começou projetos nos arredores do acampamento da Alcaida. A organização comprou gados para a comunidade do local, oferecer alimentos e cavar poços de água. Os líderes da comunidade logo cederam e decidiram entrar em contato com a Alcaida para a liberação dos reféns mas as negociações foram interrompidas mais uma vez.

Malcolm então entrou em contato com o presidente sul-africano, Jacob Zuma, pedindo a sua ajuda e explicando a situação. Em dezembro de 2016 uma corta foi enviada para McGown e seus sequestradores pelo governo sul-africano. A carta afirmava que sua mãe estava doente e pedia para que a Alcaida o libertasse por compaixão. Os sequestradores estavam desapontados com o conteúdo da carta e não ouve resposta.

Em junho deste ano McGown foi avisado sobre a liberação de Johan. Mas foi apenas em julho que Stephen recebeu o aviso que também seria liberado. Alguns dias após a notícia ele saiu em uma viagem de dois dias pelo deserto do Saara. O carro parou em uma estrada antes de Gao e o motorista disse que ele estava livre para ir.

Depois do cativeiro

No dia 29 de julho deste ano, após passar por um check-up, McGown finalmente chega em Johannesburgo. A caminho de casa, dez minutos antes de chegar ao local e ter o tão esperado reencontro, ele descobre que sua mãe havia falecido 2 meses antes.

Quando chegou na casa McGown pode ver seu pai de dentro do carro e se emocionou. Depois de ser recebido por ele e entrar em casa Stephen encontra sua mulher arrumando uma mala para pegá-lo no aeroporto, sem saber que ele já estava lá. Ela fica surpresa ao velo, principalmente por estar tão diferente com o cabelo comprido e as roupas do deserto.

Apesar de ainda não saber o motivo que fez com que fosse liberado McGown leu no jornal, The New York Times, que o governo sul-africano teria pago uma quantia de US$ 4,2 milhões pelo seu resgate, apesar das autoridades do país negarem que isso tenha ocorrido.

Mesmo com um buraco de mais de cinco anos desde que Stephen viu sua família ele sente como se sempre estivessem ao seu lado. A sua maior dificuldade no momento é se relacionar com outras pessoas, além de se esforçar para voltar a falar inglês.

Mesmo com todas as questões a se enfrentar Catherine diz que o marido não deixou de ser quem era, continua feliz e fazendo ela rir. Sem falar que aprecia mais os prazeres da vida, assim como todos os dias que vive.

E então, o que achou da história de Stephen? Como acha que teria lidado com isso se estivesse no lugar dele? Comente aí!


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Natália Pereira
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