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Conheça a história do sobrinho de Hitler, que lutou contra ele na guerra

POR Natália Pereira    EM História      23/11/17 às 14h03
capa do post Conheça a história do sobrinho de Hitler, que lutou contra ele na guerra

Por mais que muitos possam não saber Adolf Hitler, o Führer da Alemanha nazista, tinha um sobrinho chamado William Patrick Hitler. Ele era filho de Alois Hitler Junior, meio irmão de Adolf. Além de carregar o sobrenome Hitler, um dos piores nomes para se ter durante a Segunda Guerra Mundial, William ainda era parente direto do maior adversário dos países aliador, Adolf. Apesar desse "inconveniente" o jovem não se deixou levar pelos empecilhos que o seguiam.

William nasceu dia 12 de março de 1911 em Liverpool, na Inglaterra, e viveu a maior parte de sua vida apenas com sua mãe Bridget Dowling. Quando ainda tinha 3 anos de idade o jovem e sua mãe foram abandonados por Alois para viajar para a Europa. O problema foi que, ao sair para essa viagem, seu pai seria impedido de voltar para Inglaterra devido o início da Primeira Guerra Mundial e se estabeleceria na Alemanha, onde se casaria novamente. Por muito tempo Alois não entrou em contato com nenhum dos dois e foi apenas em 1924, depois de ser acusado de bigamia na Alemanha, que ele enfim tentou reabrir seu contato com o filho pedindo que Bridget deixasse que ele o visitasse. O pedido feito por ele só foi concedido em 1929 quando William já tinha 18 anos.

Visitas à Alemanha

Em sua viajem para a Alemanha William começou a se reconectar com seu pai. Naquele ano Alois o levou para um manifesto nazista onde seu tio estava. Mas foi apenas em 1930 quando retornou para a Alemanha que ele finalmente encontrou Adolf pessoalmente. Em sua visita ele teria uma foto autografada pelo tio. Por mais que até o momento as coisas parecessem estar correndo bem entre eles isso não durou muito tempo.

Depois de voltar da Alemanha em 1931 William escreveu e publicou artigos sobre seu tio. De forma geral o seu conteúdo não era do agrado de Adolf. Após se sobressair com seus artigos e o governo tomar conhecimento sobre eles William passou pela mira dos europeus e americanos. O que não deixou o líder nazista feliz. Em um convite de Adolf para que William comparecesse a Berlim seu tio expôs suas restrições quanto seus artigos e ordenou que ele os retraísse. Caso sua exigência não fosse cumprida e o ele publicasse mais alguma notícia sobre sua vida pessoal Adolf fez uma ameaça dizendo que se mataria.

Desavenças

Depois de publicar seus artigos sobre seu tio as consequências sobre seus atos começaram a aparecer. Depois de sua ligação com o nazista se tornar pública William passou a ser uma "persona non grata", pessoa desagradável, em seu próprio país. Ele foi demitido de seu emprego em 1932 e foi incapaz de se estabelecer em outro lugar na época. Sem muitas opções ele seguiu para a Alemanha onde esperava convencer seu tio a ajudá-lo. Coisa que não aconteceu.

Por mais que esperasse por uma recepção um pouco melhor William teria recebido uma carta de seu tio negando o parentesco entre eles. Depois disso seu pai o teria enviado de volta para a Inglaterra. A declaração sobre o assunto foi feita por William no dia 4 de julho de 1939 para revista Look em uma reportagem que recebeu o nome de "Why I Hate My Uncle", Porque eu odeio meu tio.

Poucas opções

Incapaz de enxergar outra opção que não fosse trocar seu nome para conseguir um emprego em seu país ou conseguir provas de seu parentesco com Adolf para chantageá-lo por um emprego William acabou optando pela segunda opção. Não encontrando motivos suficientes para convencer a si mesmo que devia mudar de nome ele passou um ano juntando provas de seu parentesco com o líder nazista. Retornando para a Alemanha em 1933 determinado a conseguir um emprego as custas de sua chantagem.

Depois de chegar em Berlim ele se dirigiu ao escritório de Ernst Röhm, estreito colaborador de Adolf e chefe do gabinete do Batalhão de Tempestade. Ele enviou seus documentos solicitando uma permissão de trabalho para Röhm que então o direcionaria para Adolf. Depois de receber a papelada Angela Raubal, irmã do Führer, teria sido enviada para falar com ele. Apesar de ser rígida, após ver que os documentos eram verdadeiros Angela se ofereceu para leva-lo até seu tio. Chegando lá ele teria tido uma boa recepção e até indagado sobre suas pretensões de emprego, recebendo 500 marks para se manter enquanto isso.

Tudo parecia estar dando certo e William iniciou um trabalho no banco de Berlim. Mudando-se para uma fabrica de automóveis em 1935 chamada Opel Automotive. Até que as coisas começaram a desandar.

Decline

Enquanto tentava enviar dinheiro para sua mãe em Liverpool ele percebeu que estava proibido de enviar dinheiro para fora, inclusive para Bridget. Depois de um ano na empresa de automóveis William foi suspenso de repente e impedido de trabalhar. Sem entender os motivos que o fizeram ele vai atrás de respostas. Apenas 2 meses depois um assessor responde William dizendo que ele havia sido acusado de roubar automóveis da empresa e podia ser preso.

Após algum tempo as acusações foram retiradas e ele voltou para o trabalho. Apesar de não estar mais sobre investigação as coisas não voltaram ao normal. Ele não podia fazer muita coisa sem que fosse convocado para maus uma conversa assustadora com seu tio. Em 1936, depois de um encontro nada agradável entre os dois William decide que era hora de deixar a Alemanha.

Fora da Alemanha

Depois de retornar para seu país William tentou entrar para as forças armadas britânicas mas foi rejeitado pela sua ligação direta com Adolf Hitler. Por não ter tido sucesso em sua tentativa ele resolveu embarcar junto com sua mãe para os Estados Unidos em 1939. Enquanto estava no país a guerra na Europa teve início, influenciada por seu tio, e então William tentou ser admitido pelas forças armadas do EUA mas foi rejeitado pelos mesmos motivos de antes.

Foi só em 1942, após enviar uma carta diretamente para o presidente Franklin implorando para ter autorização de servir no exército dos EUA que as coisas começaram a andar para ele. William teria escrito que apesar de ser um de muitos ele estava disposto prestar aquele serviço tão importante. Sua carta foi aprovada para o diretor do FBI, Edgar Hoover, que investigou seus antecedentes e o liberou para o serviço militar.

Nomeado como ajudante de farmacêutico da marinha dos EUA em Nova York em 6 de março de 1944 William serviu por 3 anos. Depois de sofrer um ferimento e receber o Purple Heart, Coração Púrpuro, condecoração militar para os feridos e mortos durante o serviço militar, ele foi dispensado em 1947.

Após o serviço militar

Depois de ser dispensado e voltar para a sociedade William estava cansado da atenção referente ao seu nome e decide mudá-lo para Stuart-Houston. Ele se casou com a alemã Phyllis Jean-Jacques e teve quatro filhos com ela. O casal morou em Patchogue em Long Island de Nova York. Lá William dirigiu um laboratório de análise de sangue chamado Brookhaven Laboratories que ficava na casa da família.

William Patrick Stuart-Houston morreu dia 14 de julho de 1987 e foi enterrado junto com sua mãe em Coram, Nova York. Nenhum de seus filhos deram sequência a linhagem da família.

Criticas quanto a sua conduta

Tomando como base sua ida e vinda entre a Alemanha e a Grã-Bretanha, antes de ir para os Estados Unidos, muitos escritores descreveram William como um oportunista. Em seu longo processo para se estabilizar ele buscou se beneficiar de sua relação com Adolf e até aceitou viver sobre o seu sistema, mesmo sem compartilhar de seus ideais. Quando esses não eram mais de seu agrado William se mudou para outro país com a intenção de lutar contra o regime de seu tio. Esse comportamento fez com que muitos desconfiassem dos motivos que o moviam e questionassem sua lealdade. Em uma outra análise alguns ressaltam a semelhança entre o sobrenome aderido por ele depois da guerra (Stuart-Houston) e o nome de um autor antissemita e alemanófilo (Houston Stewart Chamberlain).

Da mesma forma determinada que William reuniu dados para provar a sua árvore genealógica e familiaridade com Adolf quando jovem ele apagou sua ligação com a família Hitler. Nunca mais retratou publicamente nenhum assunto sobre Adolf Hitler ou a família Hitler. Um diário escrito por William foi encontrado em sua antiga casa em 2014 mas não revelou nada a mais sobre os seus sentimentos políticos enquanto estava na Alemanha.

E então, já sabia sobre a história do sobrinho de Hitler ou que ele pelo menos tinha um? O que você achou dele, seria um oportunista ou só alguém tentando sobreviver carregando esse sobrenome tão difícil? Comenta aí!


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Via   Vintag  
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Natália Pereira
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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