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Entenda como essas criaturas do mar jurássico passaram décadas cruzando o oceano em jangadas

POR Bruno Dias    EM Curiosidades      12/08/20 às 14h58
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Quando pensamos nos tempos pré-históricos, imaginamos dinossauros gigantes e criaturas ferozes que atacavam tudo que viam ou que seriam capazes de nos esmagar sem nenhum esforço. Mas nem só de animais gigantes eram feitos os tempos antigos.

A cidade de Lyme Regis é parte do Patrimônio Mundial da Costa do Jurássico. Na década de 1830, William Buckland, que é conhecido pela descoberta do primeiro dinossauro, coletou fósseis com outra paleontóloga pioneira, Mary Anning.

Uma das descobertas feitas por eles foram os restos de crinoides fossilizados, que também são conhecidos, como "lírios do mar". Eles são parentes próximos dos ouriços-do-mar e das estrelas do mar. Os lírios do mar se parecem com flores, mas são formados por uma série de placas conectadas em ramos com um caule.

As espécies, achadas em Lyme Regis, datam do período jurássico. Isso é há mais de 180 milhões de anos. E eles parecem latão polido porque foram fossilizados com pirita, o conhecido ouro de tolo.

Buckland notou que esses fósseis de crinoides estavam presos em pequenos pedaços de madeira flutuante, que são chamadas de lentes e se transformam em carvão. De acordo com ele, uma hipótese levanta é que os crinoides tinham sido presos à madeira flutuante, enquanto eles estavam vivos. E talvez eram presos por toda a sua vida e, possivelmente, vivendo debaixo dela.

Criaturas

Os crinoides modernos geralmente não fazem essa viagem. Mas desde então, foram descobertos os fossilizados de grupos de crinoides flutuantes. Mas não estava claro se as colônias eram realmente prósperas e vivam perto das madeiras flutuantes ou então eram passageiros de curto prazo.

Então, Buckland e sua equipe mostraram que as jangadas podem durar até 20 anos, o que é tempo suficiente para que os crinoides amadureçam e virem navegadores do oceano em tempo integral.

Essa ideia foi primeiramente vista como fantástica, mas o mundo científico permaneceu cético. Até a descoberta feita em 1960. Que viu um grupo verdadeiramente espetacular de fósseis em Holzmaden, um vilarejo na Alemanha. E entre répteis marinhos, crocodilos e amonites, tinham colônias gigantes de troncos cobertos por centenas de crinoides bastante preservados.

E o professor alemão, Adolf Seilacher, e seu então aluno, Reimund Haude, resolveram o mistério de Buckland. Eles viram que as jangadas flutuantes de crinoide existiram. A ideia foi reforçada pela evidência que, no jurássico, o que seria o atual vilarejo era o fundo de um mar inabitável por conta dos baixos níveis de oxigênio.

Então, os crinoides teriam se agarrado aos troncos por toda sua vida. Porque não tinha como eles viverem no fundo do mar. Mas nem todos os cientistas concordaram. E uma das perguntas principais feitas a respeito das jangadas de toras é se elas sobreviveriam até os crinoides chegarem a sua maturidade. E isso pode levar até 10 anos.

Hipóteses

Uma equipe de cientistas do Reino Unido e Japão resolveu esse problema. Eles se basearam em uma pesquisa inovadora sobre os crinoides feita pelo professor japonês Tatsuo Oji. Uma das partes principais da teoria era que a colônia flutuante de crinoides teria crescido até que ficasse muito pesada para que a madeira conseguisse sustentá-la. Com isso, o tronco afundaria para o local do mar sem oxigênio e fossilizaria os crinoides.

Mas as pesquisas sobre as populações vivas de crinoides mostrou que eles são bem leves  e mesmo em grandes colônias não conseguiriam ter esse peso todo para afundar um tronco.

Foi descoberto então que os crinoides de  fato estão embaixo da madeira flutuante, mas agrupados em uma das suas extremidades. Por mais que seja difícil observar os fósseis originais, o padrão é parecido com o de outras espécies modernas, como as cracas.

Eles tendem a ficar na área de trás da jangada, onde tem menos resistência, o que pode dizer a direção da viagem da colônia através do oceano. A pesquisa então mostrou, sem dúvida, que as colônias de crinoides poderiam existir e sobreviver por muitos anos e crescer até a sua maturidade. Além de viajar grandes distâncias através dos oceanos jurássicos.


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Via   Science alert  
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Bruno Dias
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