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Entenda como esse estranho sangue azul pode salvar milhares de vidas

POR Arthur Porto    EM Natureza      29/10/19 às 11h35

Os Caranguejos-ferradura parecem um ser de outro mundo. Em suma, esses animais têm 10 olhos e, sob suas conchas em forma de ferradura, 10 pernas, 14 garras e uma longa cauda semelhante a uma espada. Além disso, possuem também sangue azul.

Analogamente, têm superpoderes. Por quê? Basicamente, esses "fósseis vivos", em quase 450 milhões de anos, além de não mudaram praticamente nada, sobreviveram às cinco grandes extinções em massa. Inclusive, a que matou cerca de 95% de todas as espécies marinhas, responsável também por eliminar os dinossauros.

Especificidades

Todo ano, cerca de 250 mil Caranguejos-ferradura são retirados de seu habitat na costa leste dos EUA. Os animais coletados, nesse ínterim, são submetidos a um processo de extração de sangue. Como dito no início da matéria, o sangue desses "fósseis vivos" possui uma coloração azul. Tal coloração é provocada devido à presença da hemocianina. Em suma, a hemocianina é responsável pelo transporte de oxigênio nas células sanguíneas. Assim como a hemoglobina.

Embora possua uma coloração distinta, o sangue desses caranguejos é extremamente valioso. Afinal, o sangue desses "fósseis vivos" possui diversas propriedades medicinais. Por exemplo, um componente químico, encontrado em seus amebócitos, consegue detectar e isolar contaminações provocadas por bactérias rapidamente. E, mais importante, mesmo quando ela está presente em quantidades ínfimas.

O sangue dos animais coletados são usados para testar equipamentos médicos e vacinas. Esse processo é simples e quase instantâneo. O procedimento o qual engloba tais testes é chamado de teste LAL. Analogamente, esse processo evita inúmeras mortes por infecção.

Nos Estados Unidos, a FDA, órgão similar à Anvisa, impõe esse teste para toda a indústria farmacêutica e de implantes cirúrgicos.

Doações de sangue

Após detectarem um declínio na população do artrópode na América do Norte, as cinco empresas responsáveis pela coleta de sangue tiveram que implantar algumas mudanças. Atualmente, a principal é que tais empresas coletam no máximo 30% do sangue de cada caranguejo-ferradura. Em seguida, os animais retornam ao seu habitat natural.

Em contrapartida, mesmo com tal mudança, estima-se que entre 10 e 30% deles morram no processo. Além disso, entre as fêmeas que sobrevivem ao processo, foi constatado que a taxa de natalidade diminui.

Ainda nesse ínterim, outro fator que pesa é o financeiro. De acordo com o portal IFL Science, um litro de sangue azul dos caranguejos-ferradura pode valer cerca de US$ 15 mil. Por esse motivo, hoje, existem pesquisas que buscam criar uma variedade sintética do elemento que nos interessam. Entretanto, tais pesquisas possuem caráter preliminar. Ou seja, precisa de mais tempo para ser desenvolvida.

Teste LAL

O teste LAL, acrônimo de Limulus Amebocites Lisate, é um teste de determinação de endotoxinas bacterianas usando um lisado de amebócitos do caranguejo Limulus. Em suma, neste teste, as reações que ocorrem no lisado de amebócitos são exploradas.

Tais reações ocorrem como consequência de um mecanismo de defesa do caranguejo na presença de endotoxinas, e que terminam com um processo de gelificação.

Analogamente, esses testes têm como mecanismos de detecção o aparecimento do gel ou alterações de cor. Os testes LAL são nomeados de acordo com o mecanismo de detecção, como método Gel Clot, Método Cromogênico ou método Turbidimétrico.

Por sua vez, esses métodos podem ser usados qualitativamente, quando o interesse do teste é saber se existem endotoxinas bacterianas em um meio. Também podem ser usados de forma quantitativa, quando é necessário conhecer a concentração de endotoxinas bacterianas presentes.

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Arthur Porto
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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