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Essa era a forma com que patagônicos antigos se adaptavam às mudanças climáticas

POR Bruno Dias EM Curiosidades 21/07/20 às 14h21

capa do post Essa era a forma com que patagônicos antigos se adaptavam às mudanças climáticas

Nós somos reféns das mudanças climáticas que acontecem o tempo todo. Seja em escala global ou regional, o fato é que essas mudanças realmente acontecem, e a longo prazo, podem representar graves consequências para a humanidade. E engana-se quem pensa que elas acontecem apenas em uma história recente.

Além disso, uma mudança de clima não afeta apenas o clima. Os ecossistemas inteiros são forçados a mudar também. E isso gera mudanças drásticas nos ambientes, o que pode ser bastante desafiador e até mortal para espécies que dependem de tal ecossistema.

E os humanos caçadores-coletores, que viveram na Patagônia entre 6.500 e 2.500 anos atrás, conseguiram se adaptar às mudanças que estavam acontecendo na época. De acordo com o mostrado por novas pesquisas, eles adaptaram suas estratégias de caça e hábitos alimentares para conseguir sobreviver às mudanças a longo prazo.

Tanto a Patagônia, quanto o arquipélago da Terra do Fogo são a ponta mais meridional da América do Sul. E no período holoceno médio e tardio, vários grupos habitaram essas regiões. Surpreendentemente, eles permaneceram estáveis por milhares de anos.

Povos

Alguns deles eram nômades, como é o caso dos Kawesqar e dos Yaghan. Eles tiravam vantagens da vida marinha rica da região. E graças ao que essas sociedades jogavam no lixo, é possível se ter uma noção do que eles comiam. A dieta deles tinha bastante frutos do mar, como peixes e mariscos, e outros animais como aves e leões marinhos.

O que não ficou muito claro foi se a dieta tinha variações conforme as estações mudavam. Até porque, cada mudança drástica alterava os ecossistemas. O derretimento das geleiras diminuía a salinidade do oceano, a temperatura e os nutrientes. Isso afetava os fitoplânctons que estavam na base da cadeia alimentar. Por conta disso, a disponibilidade das espécies que os humanos eram dependentes podia também ser afetada.

Então uma equipe liderada pela arqueóloga Jimena Torres, decidiu examinar mais de perto quatro momentos. Um no holoceno médio, que foi entre 6.500 a 5.000 anos atrás, e três no holoceno médio-final, entre 3.500 a 2..500 anos atras.

O que a equipe procurava, em particular, eram os ossos de um peixe que era abundante nas águas costeiras da Patagônia, o bacalhau do girino. Eles também observaram em que ano o peixe tinha sido capturado.

Observações

Eles coletaram 255 amostras arqueológicas. Além delas, a equipe também pegou 69 amostras modernas, durante um ano, para fazer a comparação dos ossos e garantir que as observações fossem as mais precisas possíveis.

A descoberta foi que, no holoceno médio, os ossos provavelmente eram de peixes que tinham sido capturados nos meses mais quentes. E a análise  dos outros conteúdos apoiou essa hipóteses. Principalmente os ossos de aves marinhas que não estariam na área nas épocas mais frias.

Mas nos locais posteriores, os ossos sugerem que os peixes foram capturados o ano todo. Ou então nos meses mais frios. Isso mostra uma mudança na estratégia que poderia ter sido influenciada pelas mudanças climáticas.

"As mudanças oceanográficas e ecológicas durante o Holoceno podem ter influenciado a acessibilidade e a abundância de diferentes peixes explorados pelas sociedades de caçadores-pescadores-coletor", escreveram os pesquisadores.

Mudanças

Eles também observaram que, por mais que as temperaturas do mar tenham ficado relativamente altas durante o holoceno médio, alguns estudos mostram que as temperaturas começaram a cair há 6 mil anos. E que, entre 5.500 a 4.500 anos atrás, pode ter até existido um período neoglacial.

"Os registros de temperatura da superfície do mar para o Holoceno tardio mostram que nos fiordes e mares interiores, bem como nas áreas offshore da margem continental chilena, houve uma diminuição na temperatura da superfície do mar", explicaram.

"Da mesma forma, os proxies paleoceanográficos de produtividade primária da bacia central do Estreito de Magalhães exibem um declínio acentuado entre 3.000 e 2.200 anos atrás. Com uma forte redução na salinidade devido a um período de intenso fornecimento de água doce. Provavelmente causado por chuvas e glaciais maiores. avançar", continuaram.

E a atividade de pesca durante o ano todo feita pelas comunidades do holoceno poderia ter sido resultado da abundância de peixes. Os pesquisadores acreditam que a mudança das condições ambientais foi provavelmente a causa dessa mudança.


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Bruno Dias
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