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Esses são os terríveis relatos dos sobreviventes do massacre no Congo

POR Natália Pereira    EM Mundo Afora      21/12/17 às 13h38

Muitas atrocidades continuam a acontecer pelo mundo, mesmo que muitos não tenham conhecimento sobre isso. O Brasil nunca foi de se envolver com essas questões e felizmente não tem grandes ataques como os que acontecem em outros países. Isso faz com que muitas vezes não nos informemos à respeito dessa situação. A República Democrática do Congo é um país da África Central que vem enfrentando diversos massacres.

Os ataques começaram no ano passado e ocorreram como uma forma de se rebelar contra o governo central considerado corruptos e brutais. O problema é que em meio a toda essa confusão não foi apenas a milícia que foi atingida. Pessoas inocentes e até crianças acabaram entrando em meio aos inúmeros cadáveres. A ONU teve de intervir na situação e seus soldados foram para o local ajudar a lidar com a questão.

O início do problema

Em agosto de 2016, o líder de uma milícia local foi assassinado pelas forças de segurança do país. Seu nome era Kamuina Nsapu. A partir desse momento seus seguidores buscaram vingar sua morte, matando aqueles que acreditavam estar envolvidos com o governo. A província de Kasai foi extremamente afetada com o ocorrido. Cerca de 1,4 milhão de pessoas acabaram desalojadas. Incluindo uma média de 850 mil crianças. Atualmente o lugar sofre com uma enorme crise de fome, gerada devido a retirada dos agricultores. Isso fez com que estes não pudessem produzir alimentos nem para sua família.

As consequências do massacre

É possível ver os danos causados pelos atentados ao andar nas ruas de Kasai. Muitas mulheres e crianças ainda se encontram refugiadas nas igrejas do local. A desnutrição das crianças é terrível. Durante o período houveram atrocidades horríveis feitas em público. Diversas decapitações foram realizadas pela milícia e os soldados chegaram a matar aldeões. A história de uma mulher que foi espancada, violentada e decapitada em meio à todos chocou a comunidade internacional.

Muitos foram perseguidos e até suas famílias viraram alvos. Essas pessoas muitas vezes não tinham uma real ligação com o ocorrido e mesmo assim acabaram sendo mortas. Prosper Ntambue era um ativista que pretendia cadastrar eleitores para o ano seguinte e foi ligado ao governo por esse motivo. Eles incendiaram seu escritório junto com ele, porém ele sobreviveu. Sua família, incluindo sua filha, foram capturados e decapitados. Agora Prosper cuida dos cinco netos que ficaram órfãos após a morte de seus pais.

Para revidar os ataques da milícia o Estado se armou contra eles. Ao fazer isso muitos aldeões que se armaram acabaram mortos e até mesmo alguns que não tinham relação alguma com a Kamuina Nsapu.

Os relatos

A BBC, que foi até o lugar para conseguir as informações, recebeu o depoimento de várias pessoas que testemunharam os atos desumanos. Apesar de não terem sido mencionadas diretamente por temer as consequências que aquilo poderia gerar, muitos contaram o que aconteceu por lá. Um dos homens com quem eles conversaram próximo ao rio Kasai, afirmou que muitos corpos foram jogados lá para que fossem levados com a correnteza. De acordo com ele os militares perseguiam as pessoas e as matavam. Depois disso as jogavam na água.

Enquanto estavam por lá, uma mãe conta a história de como seus quatro filhos foram decapitados e como ninguém fez nada para impedi-los, mesmo tendo condições para isso. Muitas pessoas estavam armadas e a milícia decapitou muitas pessoas e até mesmo cortou parte de seus corpos. Uma delas conta como teve que subir em cadáveres para poder escapar e sobreviver. Enquanto isso, uma outra mãe contava desolada como a filha de 12 anos foi violentada repetidas vezes.

O exército da ONU é o único que está entre as milícias e o estado local. O problema é que o exército de 20 mil soldados está sendo reduzido para três mil devido a cortes feitos pelos Estados Unidos. Tudo que se pode ver em Kasai é dor e sofrimento. As pessoas tentam sobreviver em meio a confusão, mas muitos não conseguem fugir. É triste saber que não podemos fazer algo para que a situação melhore para eles.

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Via   G1     BBC  
Natália Pereira
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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