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Isso é o que o cocô dos hipopótamos de Pablo Escobar está causando na Colômbia

POR Cristyele Oliveira    EM Ciência e Tecnologia      18/02/20 às 17h31

Um estudo recente comprovou algo peculiar: hipopótamos, deixados por Pablo Escobar na Colômbia, estão causando um verdadeiro estrago no país. Essa foi a primeira vez em que cientistas se propuseram a analisar os hipopótamos, deixados para trás, quando o império do traficante desmoronou. E de fato, não é nenhuma novidade que espécies invasoras possam desequilibrar o ecossistema. Mas a presença desses hipopótamos vem destruindo o ecossistema aquático colombiano, em níveis alarmantes.

O problema começa no fato de existirem hipopótamos, uma espécie nativa da África Subsaariana, na Colômbia. Esses animais foram parar no país graças ao traficante colombiano, que resolveu fazer o seus próprio zoológico privado. Na sua gigantesca propriedade, ele fez questão de trazer diversas espécies selvagens, como rinocerontes, girafas, zebras e hipopótamos. Após a sua morte, em 1993, a maioria dos animais do zoológico foram realojadas, menos os hipopótamos, que se mostraram muito agressivos para serem transferidos.

Então, os animais permaneceram no terreno da antiga propriedade de Escobar, e acabaram formando uma enorme população selvagem, ao redor dos lagos próximos e do rio Magdalena. A população que inicialmente contava apenas com quatro hipopótamos, passou para cerca de 80 em apenas algumas décadas. E agora, a consequência disso tem sido observada por cientistas.

O problema

Pesquisadores da Colômbia e da Universidade da Califórnia, analisaram como essa espécie invasora vem afetando o ecossistema local. Durante dois anos, a equipe fez análises regulares da qualidade da água, dos níveis de oxigênio e assinaturas estáveis de isótopos. Após a coleta, eles compararam os dados com os de lagos sem uma população de hipopótamos. Os resultados foram publicados na revista Ecology.

E o principal problema é o cocô. Isso porque, quando um hipopótamos defeca, as suas fezes afundam no leito do rio e acabam servindo como um fertilizante potente. Poderia ser uma coisa boa, se as algas e as bactérias da água não crescessem. Com isso, elas não apenas drenam o oxigênio da água e dos nutrientes para outras formas de vida, como também podem resultar em explosões de algas prejudiciais.

"Esta espécie única tem um grande impacto em seu ecossistema em sua região nativa da África. E agora descobrimos que tem um impacto semelhante quando você a importa para um continente totalmente novo, com um ambiente completamente diferente e um elenco de personagens" explica Jonathan Shurin. Ele é professor de ciências biológicas da Universidade da California e um dos responsáveis pela pesquisa.

Efeito para o ecossistema

"O efeito de fertilizar todas essas bactérias e algas aumenta a produtividade na água", disse Shurin. "Descobrimos que os lagos são mais produtivos quando têm hipopótamos. Isso pode mudar os tipos de algas e bactérias e pode levar a problemas como a eutrofização ou o excesso de produção de algas que pode levar à proliferação de algas prejudiciais semelhantes às marés vermelhas".

Além disso, os pesquisadores afirma que a população de hipopótamos deve aumentar ainda mais. De acordo com estimativas, nas próximas décadas pode haver milhares desses animais em toda a Colômbia. Apesar disso, ainda não há planos para retirar esses visitantes indesejados.

"Este estudo sugere que há alguma urgência em decidir o que fazer sobre eles. A questão é: o que deveria ser feito?", disse Shurin, sobre a necessidade de tomar alguma medida, para resolver esses problema.

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Cristyele Oliveira
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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