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Isso é o que o uso prolongado de Omeprazol pode fazer com seu corpo

POR Isabela Ferreira    EM Ciência e Tecnologia      03/11/17 às 18h52

O que você faz quando costuma sentir uma dor de cabeça? Provavelmente dirá que toma um remédio, é claro. Talvez este seja um simples caso de automedicação. No entanto este é um problema maior do que somos capazes de imaginar. A automedicação é algo que ao invés de trazer a solução para seus problemas, pode ser a responsável pelo agravamento. Existem alguns remédios que provocam uma série de consequências quando consumidos a longo prazo... A exemplo do Omeprazol.

O medicamento é indicado em casos de gastrite ou até mesmo úlcera gastrítica, visto que diminui a acidez estomacal. É exatamente o tipo de remédio que as pessoas tem o costume de tomar de forma errada. No geral, o Omeprazol possui alguns leves efeitos colaterais como diarreia, vômito, dor de cabeça, dor abdominal, entre outros. Porém, estudos indicaram que seu uso contínuo e a longo prazo pode representar um grave risco à saúde.

Omeprazol pode duplicar riscos de câncer de estômago

De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Hong Kong, em conjunto com a Univesity College London, o uso de inibidores da bomba de prótons (IBP), a longo prazo, pode intensificar em até 2,4 vezes as chances do paciente desenvolver um câncer de estômago. Os IBPs são medicamentos que inibem a enzima chamada de bomba de prótons. Reduzem a produção de ácido estomacal, portanto, são bastante indicados para o tratamento de úlceras estomacais e refluxo ácido. O Omeprazol, assim como o Pantoprazol, são exemplos de IBPs bastante receitados e utilizados.

Os acadêmicos já haviam identificado que poderia haver alguma ligação entre o aumento dos riscos de câncer de estômago e o uso de IBPs, no entanto, ainda não sabiam os motivos para isso. Acontece que a presença de uma bactéria chamada H pylori ainda não havia sido controlada. Suspeita-se que ela seja a grande responsável por induzir a doença.

Os pesquisadores ainda descobriram que mesmo depois da bactéria ser eliminada do organismo, o desenvolvimento da doença ainda estava relacionado com a quantidade e a duração de tratamentos com medicamentos como o Omeprazol.

Colocando o estudo em prática

Para a constatação de tal fator, os cientistas contaram com o auxílio de 63.397 adultos. A intenção era comparar os efeitos de IBPs com o de um outro medicamento chamado de bloqueador H2. Da mesma forma, ele também limita a produção de ácido mas age no organismo de formas diferentes. Os participantes envolvidos receberam uma terapia tripla, combinando os IBPs a antibióticos com o objetivo de matar a bactéria H pylori. Tudo aconteceu entre os anos de 2003 e 2012, mas a pesquisa teria fim apenas em 2015.

Todos seriam monitorados até que desenvolvessem um câncer de estômago, morressem, ou até que o estudo terminasse. Durante esse tempo, 3.271 pessoas receberam um tratamento com IBPs por quase 3 anos. Por outro lado, 21.729 dos participantes eram tratados com com os bloqueadores H2. Por fim, 153 pessoas acabaram desenvolvendo câncer de estômago. Então veio a confirmação: Nenhum dos casos foi provocado pela H pylori. No entanto, todos sofriam com inflamações estomacais de longo prazo.

A comprovação

Aqueles que ingeriram os bloqueadores H2 durante esse tempo, não foram diagnosticados com nenhum tipo de vínculo para o desenvolvimento de um câncer, enquanto os que foram tratados com um IBP como o Omeprazol, foram ligados a um risco de 2,4 vezes maior.

Os resultados ainda mostraram que os riscos de desenvolver a doença aumentam de acordo com o tempo de consumo do medicamento. Para que você tenha ideia, aqueles que ingerem o remédio por mais de um ano possuem 4 vezes mais riscos e aqueles com um tratamento de 3 anos ou mais, desenvolveram de 5 a 8 vezes maiores riscos.

De acordo com o professor de farmacoepidemiologia da London School of Hygiene and Tropical Medicine, Stephen Evans, "a explicação mais plausível para a totalidade da evidência sobre isso é que aqueles que receberam IBPs, e especialmente aqueles que continuam a longo prazo, tendem a estar mais doentes de várias maneiras do que aqueles para quem não são prescritos". Portanto, o estudo ressalta a importância dos cuidados ao prescrever remédios similares ao Omeprazol para os pacientes.

E então pessoal? O que acharam? Compartilhem suas ideias com a gente aí nos comentários!

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Isabela Ferreira
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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