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O dia em que um policial negro se infiltrou na Ku Klux Klan

POR Bruno Dias    EM Curiosidades      22/01/19 às 15h43

A Ku Klux Klan é o nome de três movimentos diferentes dos Estados Unidos passados e atuais que defendem correntes reacionárias e extremistas, como a supremacia branca, o nacionalismo branco, a anti-imigração e outras coisas.

Em novembro de 1978, o policial Ron Stallworth viu um anúncio no jornal escrito da seguinte forma: "Ku Klux Klan. Para sua informação", além de um endereço para enviar cartas. Ele pensou que com esse anúncio poderia impulsionar sua carreira de detetive. Um detalhe grande era que Stallworth era um homem negro querendo se infiltrar no grupo mais supremacista branco.

Mas isso aconteceu e a história do policial virou um filme chamado BlacKkKlansman, que em português virou Infiltrado na Klan. O filme foi baseado no livro que Stallworth publicou em 2014, contando como foi sua trajetória para entrar na KKK e quando ele conheceu o líder David Duke.

O policial trabalhava há um ano no Departamento de Polícia de Colorado Springs sendo o primeiro policial negro contratado pela cidade e depois passou a fazer parte da unidade de inteligência. E o homem sempre quis ser policial apesar da discriminação.

"Quando me entrevistaram (em Colorado Springs) me perguntaram como eu me sentiria em um ambiente no qual algumas pessoas tinham uma atitude negativa em relação a negros. Eu respondi que cuidaria dos meus assuntos", disse.

O primeiro caso que o detetive pegou foi a monitoração da conversa de Stokely Carmichael, que era um líder do movimento pelos direitos civis associado ao Partido dos Panteras Negras."O que ele dizia sobre as relações raciais fazia muito sentido para mim. Mas, ao mesmo tempo, eu era policial e o que ele dizia ia de encontro ao que eu representava", conta.

Klan

Na carta que o detetive mandou para KKK, ele disse que era um homem branco "odiando o que estava acontecendo no país" e que queria uma raça branca e pura. Mas ele fez errou na carta assinando seu nome verdadeiro na carta. "Pelo menos coloquei o número de telefone que usava como policial infiltrado", ressaltou.

O que Stallworth esperava era uma carta, mas para sua surpresa, ele recebeu uma ligação de um homem que dizia ser organizador local da Ku Klux Klan que perguntou quando ele poderia se encontrar com o detetive.

"Eu obviamente não podia ir para as reuniões. O plano que elaborei é que eu falaria com ele por telefone e, quando houvesse uma reunião, um agente branco iria em meu lugar. Esse agente era Chuck (o nome do policial foi modificado)", explicou.

O agente levava um microfone pequeno em sua camiseta para gravar as conversas que tinha com a KKK. Uma das coisas que eles descobriram era que a organização do Colorado Springs falava sobre juntar armas automáticas e se preparar para uma guerra racial e colocar bombas em bares LGBT.

Supremacia

Na operação, Stallworth virou membro oficial da KKK e começou uma relação de amizade improvável. Quando ele ligou para a sede principal, quem atendeu foi o líder nacional, David Duke. E depois disso, começou uma amizade entre os dois.

"Um dia ele me disse que era capaz de reconhecer um negro pelo telefone, porque eles falavam diferente. E me disse que, por exemplo, sabia que eu era um homem branco. Dei muitas gargalhadas depois", conta.

Quando ele se aposentou, Stallworth publicou suas memórias e logo que foi publicado os grupos supremacistas tiveram sua reação negativa. "Uma página de internet publicou uma foto minha e o que pensavam que era meu endereço e meu número de telefone. O FBI me avisou que havia ameaças de morte sendo feitas a mim e disse que eu deveria tomar cuidado. Eu comecei a andar novamente com minha arma nas ruas", disse.

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Bruno Dias
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