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O ''mistério'' do único lugar no Japão sem COVID-19

POR Bruno Dias    EM Curiosidades      15/05/20 às 15h57

O mundo está vivendo uma nova pandemia, dessa vez, causada pelo novo coronavírus. O que começou como um surto na cidade Wuhan, na China, logo se espalhou por todo o país. Ele não parou por lá e novos casos puderam ser notados na Ásia, dia após dia. O vírus chegou então à Europa e até então, ninguém imaginava que seria o maior terror em alguns países, como Itália, que registra mais mortes todos os dias.

O vírus já está presente em todos os continentes e cresce o número de infectados e mortos por ele, a cada momento. E por ser um vírus mortal, as autoridades de todo mundo estão se mobilizando com a situação.

Parece quase utópico, pensar que algum lugar do mundo, não foi afetado por essa nova pandemia global. Mas acontece que por algum motivo ele existe. O Japão prorrogou seu estado de emergência até o dia 31 de maio. Mas a cidade de Iwate decidiu por uma volta gradual à normalidade. Isso porque, ela é a única, entre as 47 prefeituras do Japão, que não teve nenhum caso de coronavírus.

Essa cidade está na região de Tohoku, no nordeste do país, e tem 1,2 milhões de habitantes. O governador de Iwate, Takuya Tasso, fez um anuncio no dia 5 de maio falando sobre "um novo estilo de vida que combinaria o funcionamento do comércio com medidas preventivas rigorosas. Reforçando o uso de máscaras e o distanciamento social".

Mas qual será o motivo dessa região do Japão não ter nenhum caso de coronavírus? Assim que o Comitê de Prevenção ao Coronavírus de Iwate divulgou a informação de trÊs testes negativos um usuário do Twitter disse que o lugar não tinha nenhum caso porque não tinham testes.

E buscando transparência, o governo local divulga os resultados dos testes que são feitos na região. Mas realmente o número de testes é baixo. No total, pouco mais de cinco mil testes foram divulgados. E todos eles tinham sido negativos.

Testes

Essa falta de testes é um reflexo de como o país está combatendo a pandemia. Ao contrário de países bem sucedidos como a Alemanha e a Coreia do Sul, o Japão está fazendo pouquíssimos testes.

Um exemplo disso é Tóquio, que tem 9,3 milhões de habitantes e foi o centro da pandemia no Japão, que de fevereiro até 30 de abril tinham sido testadas tinha feito menos de 11 mil testes. E quatro mil desses deram positivo.

Com o percentual de testes positivos bem alto mostra que o país só está testando aquelas pessoas que apresentam sintomas avançados. Os clínicos gerais receberam diretrizes de só fazer os testes naqueles pacientes que estão com pneumonia.

Especialistas dizem que isso é muito perigoso principalmente quando se fala de saúde pública. Alguns acadêmicos supõe que o número real de infectados no Japão seja entre 20 e 50 vezes maior do que o oficial, que é um pouco mais de 16 mil pessoas.

Por esses motivos, o "sucesso" de Iwate é bem duvidoso. E perguntas são levantadas como por exemplo, será que o lugar está mesmo livre do coronavírus e até que ponto a falta de testes reflete na realidade da doença?

As autoridades locais justificaram o porquê de poucos testes serem feitos. "Foram poucos testes porque há poucas pessoas com sintomas. Pretendemos aumentar a testagem de acordo com a necessidade", afirma Yoetsu Yoshida, diretor do Setor de Prevenção ao Coronavírus do Departamento de Saúde e Bem-estar da Prefeitura de Iwate.

"Não há infectados por causa das medidas preventivas que temos efetivado com esforços completos. Como o uso constante de máscaras na população e o hábito de lavar as mãos com frequência", continua Yoshida.

Vida quase de volta

No dia cinco de maio, quando o governador Takuya Tasso anunciou a saída do estado de emergência em Iwate ele disse que a estratégia é isolar a cidade de suas vizinhas. E pediu para que  a população não saísse da cidade.

As lojas de departamento da capital voltaram a funcionar no dia sete de maio, depois de ficarem 13 dias fechadas. E várias delas funcionaram com horários reduzidos e poucos clientes.

Os cinemas também se preparam para reabrir com medidas preventivas. Como papéis colocados entre uma cadeira e outra para garantir o distanciamento e as saídas de emergência ficarão abertas para o ar circular.

De acordo com o professor especializado em saúde pública da Universidade de Iwate, Tatsuya Kamihama, a postura preventiva e a disciplina da população como um todo pode ter sido um fator determinante para essa inexistência de casos.

"Iwate agiu rapidamente na prevenção, antes mesmo de outras cidades. Acho que isso está relacionado com o fato de que não há infectados", disse.

"As pessoas aqui são sérias e muito pacientes. Muitos não estão saindo além do necessário. E estão evitando o horário de pico se precisar ir para um local movimentado. Mesmo assim, o risco continua existindo por toda a parte. Precisamos continuar levando a vida com cuidado máximo", concluiu Masaki Hirano.

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Via   BBC  
Imagens BBC
Bruno Dias
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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