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O primeiro ex-oficial sírio, Anwar Raslan, está sendo julgado por crimes contra a humanidade

POR Erik Ely    EM Curiosidades      20/05/20 às 10h05
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Esse é um julgamento histórico que está acontecendo no tribunal regional de Koblenz, no oeste da Alemanha. Isso porque, o primeiro ex-oficial sírio, Anwar Raslan, está sendo julgado por crimes contra a humanidade. Para se ter uma ideia, essa é a primeira vez que estão sendo julgados crimes atribuídos ao regime de Bashar al-Assad, desde o início da guerra na Síria, em 2011.

Anwar Raslan, de 57 anos, é um ex-funcionário dos serviços de inteligência da Síria. Contudo, nesta segunda-feira (18/05), ele negou sua suposta responsabilidade pela morte e tortura de detidos em uma prisão que ele administrava em Damasco. Em 2012, x-oficial de serviço de inteligência da Síria desertou e desde então, está refugiado na Alemanha.

Ele teria sido responsável pela tortura de mais de 4 mil pessoas

No julgamento, a justiça alemã acusa o homem de cometer uma série de crimes contra a humanidade. Dessa forma, ela seria responsável pela tortura de 4 mil pessoas e morte de 58. Além disso, ele também teria praticado crimes de estupro e abuso sexual agravado entre abril de 2011 e setembro de 2012, período em que ficou responsável pela Prisão de Al-Khatib em Damasco.

Portanto, para abertura do processo, Berlim aplicou o princípio de "competência universal". Isso faz com que os Estados estejam autorizados a processar autores de crimes considerados graves, independentemente de sua nacionalidade e do local onde esses crimes foram cometidos.

No dia 23 de abril, com o início do julgamento, o promotor alemão Jasper Klinge descreveu o verdadeiro horror e as condições "desumanas" da prisão conhecida como "Rama 251". "Chutes, espancamentos com cabos elétricos, choques elétricos, celas de 50 metros quadrados para 140 detentos, que não podiam se sentar ou deitar", afirmou o promotor. Segundo ele, os presos viviam em verdadeiras gaiolas. Além disso, ele garantiu que os ex-militares sírios "conheciam a magnitude da tortura". Desse modo, os crimes "eram perpetrados sob a direção e responsabilidade de Raslan", para obter confissões e informações sobre a oposição.

Raslan foi reconhecido por uma de suas vítimas

Mesmo com todas as acusações, Anwar Raslan enfatizou que não cometeu "nenhum dos crimes" que o acusam e que "ele nunca agiu desumanamente". Com isso, ele alegou que fugiu da Síria depois de romper com o regime de Bashar al-Assad. Segundo o ex-oficial, ele saiu "porque não queria endossar" os abusos cometidos em Damasco.

Em 2014, Raslan chegou à Alemanha como solicitante de asilo. Depois disso, em 2015, ele falou sobre seu passado com a polícia alemã para solicitar proteção. Segundo Raslan, ele se sentia ameaçado pelos agentes de inteligência sírio. Ao relatar a situação e tudo que fizer, finalmente, o ex-militar foi preso em 2019. Contudo, isso somente foi possível graças a uma de suas ex-vítimas que o reconheceu em um abrigo para refugiados em Berlim. Com isso, 24 ex-detentos sírios testemunharam contra ele.

Junto com Raslan, um outro membro dos serviços de inteligência sírio, Eyad Al-Gharib, também foi preso. Pelo que sabemos, o julgamento alemão pode durar até dois anos. Além disso, é importante que o caso sirva de exemplo. Isso porque, ele pode estabelecer precedentes e abrir caminho para outros julgamentos do tipo na Europa.


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Erik Ely
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