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O que acontece quando alguém acorda durante uma cirurgia?

POR A redação EM Ciência e Tecnologia 08/09/15 às 14h55

capa do post O que acontece quando alguém acorda durante uma cirurgia?

Quem já passou por um procedimento cirúrgico sabe das inúmeras recomendações médicas para o pré e pós operatório. A ansiedade que envolve a submissão a uma intervenção cirúrgica pode ser avassaladora para muitas pessoas. Além do medo que muitos tem em não acordar depois de uma cirurgia, o maior, é o de acordar. Só que com um detalhe: no meio do procedimento. Dá para imaginar o que acontece?

Para quem não sabe, a anestesia geral envolve uma mistura de drogas para tornar as pessoas inconscientes, tirar a sua dor e induzir a amnésia. Um paralítico é frequentemente adicionado a esse coquetel para facilitar a inserção de um tubo de respiração, impedir que os pacientes se movam e permitir que os cirurgiões operem em áreas que são inacessíveis quando os músculos estão tensos.

Mas a consciência anestésica realmente se torna um problema quando os paralíticos são usados, uma vez que os pacientes não podem mover-se para deixar os médicos saberem que estão recuperando a consciência. Os médicos devem recorrer a métodos sutis, muitas vezes pouco confiáveis, para monitorar a consciência das pessoas. Os riscos podem vir quando o paciente acorda no procedimento. Mas será que isso é possível? Veja o que acontece quando alguém acorda durante uma cirurgia.

Consciência anestésica

 

Consciência anestésica é conhecida também como lembrança intra-operatória. Ocorre quando um paciente torna-se consciente durante um procedimento que é realizado sob anestesia geral , e eles podem recordar este episódio de acordar após a cirurgia.

Os pacientes podem se lembrar do incidente imediatamente após a cirurgia, dias ou semanas mais tarde. Os médicos fazem tudo o que podem e usam a melhor tecnologia disponível para garantir que isso não aconteça. Entretanto, alguns pacientes descreveram uma gama de sensações, incluindo asfixia, paralisia, dor, alucinações e experiências de quase-morte. A maioria dos episódios foram de curta duração, com 75% deles com duração de menos de cinco minutos.

Números

Duas em cada 1000 pessoas acordam durante uma cirurgia nos Estados Unidos. Segundo especialistas, não é um número enorme, mas o bastante para que seja considerado um problema. Além disso, a taxa real pode ser ainda maior.

Uma pesquisa foi feita pela Associação de Anestesistas da Grã Bretanha e pelo Royal College of Anaesthetists do Reino Unido e analisou os registros de 3 milhões de cirurgias realizadas no período de mais de um ano.  Durante o estudo os pesquisadores descobriram que mais de 300 pacientes — ou um em cada 19,6 mil — disseram ter recuperado algum tipo de consciência enquanto os procedimentos ocorriam sob a anestesia geral. O ideal é que o anestesiologista rotineiramente veja o pós-operatório do paciente. Mas isso as vezes é descartado pelos pacientes que optem ir para casa após a cirurgia.

Falha da anestesia geral

A anestesia geral é responsável por manter o paciente totalmente inconsciente ou adormecido. Por isso todo cuidado é pouco - se há uma diminuição na quantidade de anestesia, o paciente pode começar a acordar. O coquetel de medicamentos em anestesia geral inclui muitas vezes um analgésico para aliviar a dor e um paralítico.

O paralítico faz exatamente o que parece - paralisa o corpo. Quando a anestesia falha, os paralíticos tornam-se especialmente difíceis para os pacientes indicarem que estão acordados. Pode ser um pesadelo para os que estão prestes a realizar uma cirurgia: a anestesia pode falhar. Entretanto, é raro que aconteça.

É diferente de sedação consciente

A sedação consciente é vista também como sono crepuscular - difere totalmente da anestesia geral. Ela é uma depressão mínima do nível de consciência produzida por métodos farmacológicos ou não-farmacológicos (ou a sua combinação), onde é mantida a respiração espontânea, os reflexos protetores e a capacidade de resposta a estímulos físicos e comandos verbais.

Com a sedação consciente, você pode adormecer ou deriva dentro e fora do sono, mas isso não é a mesma consciência anestésica. Isso porque, a sedação é feita para pequenas cirurgias e não tem a intenção de causar ao paciente a chamada inconsciência profunda.

Não acontece bem no meio da cirurgia

Fique mais calmo! Ao contrário da crença popular, ele não costuma acontecer bem no meio de cirurgia. Na maioria das vezes, o anestesista é muito consciente de que isso pode acontecer e nunca relaxa ou abaixa a guarda em qualquer ponto durante a cirurgia, não importa quanto tempo que ela dure.

Vale lembrar que a consciência tende a ocorrer nas margens, ou seja, quando o procedimento está começando e você não tem a dose de anestésico completo ou quando você está acordando de anestesia, porque é mais seguro diminuir a quantidade de anestesia mais lenta e gradualmente em direção ao fim. No entanto tudo depende do tipo de cirurgia e do paciente.

Sensação auditiva

Os pacientes relatam ouvir vozes e sons durante a cirurgia. A sensação mais comum é auditiva - alguns pacientes já afirmaram que ouviram vozes e até mesmo conversas que chegaram até a sala de cirurgia. Mas isso faz todo o sentido, porque quando analisamos os efeitos anestésicos no cérebro, o sistema auditivo é o último a receber os efeitos. Mas e os olhos? Os pacientes são capazes de abri-los?

É praticamente impossível. Isso porque a anestesia coloca o paciente para dormir, assim as pálpebras fecham-se naturalmente. Mesmo se o paciente recupere a consciência, a anestesia ainda restringe o movimento muscular para que os olhos fechem. Mas ainda há 20% de chances do paciente abrir os olhos durante o procedimento. Por isso o ideal é que os olhos dos pacientes sejam vendados.

Efeitos

A consciência anestésica pode causar ansiedade e PTSD. Além de flashbacks, medo, solidão e ataques de pânico. Segundo pesquisas, acontece na minoria dos pacientes. Mas isso pode ser grave. Explicar ao doente, de forma acessível, em que consiste a cirurgia e quais os seus benefícios é fundamental para reduzir o nível de ansiedade do paciente nas horas e dias que antecedem este procedimento.

Muitos doentes manifestam seu desconforto perante a ideia de se submeterem a uma intervenção cirúrgica e as eventuais conversas prévias mantidas com o cirurgião e até com o anestesista poderão acabar por quebrar alguns mitos e preconceitos. Aliás, a segurança com que o cirurgião esclarece as dúvidas e presta as informações acaba por ser diretamente proporcional à confiança adquirida pelo doente.

Fonte: BuzzFeed 


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