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O que aconteceu com a água radioativa de Fukushima?

POR Arthur Porto    EM Mundo Afora      13/09/19 às 15h32

Em março de 2011, para quem não se lembra, o Japão foi atingido pelo terremoto mais poderoso da história do país. O tremor, de magnitude 9, provocou um tsunami, com ondas de até 15 metros de altura. Além disso, o desastre provocou uma das piores crises nucleares da história.

Na época, o sistema elétrico da Fukushima Daiichi foi desativado totalmente. Em suma, três de seus seis reatores sofreram fusões e um foi danificado pelas explosões de hidrogênio. Mais de 160.000 pessoas se viram forçadas a deixar a região.

Atualmente, oito anos depois, Fukushima possui cerca de mil tanques instalados em sua central. Ao todo, são mais de um milhão de toneladas de água contaminada, resultante da mistura da água do subsolo com a proveniente dos tubos de refrigeração para resfriar os reatores.

Até o momento, a Tepco, empresa proprietária da usina nuclear japonesa de Fukushima, continua construindo contêineres. Cada um possui capacidade para receber entre 1.000 e 1.200 toneladas de água, e leva cerca de sete a dez dias para ficar cheio. Entretanto, de acordo com a empresa, estima-se que, em três anos, não haverá mais espaço para armazenar a água contaminada.

Há espaço suficiente para manter o líquido contido, até o verão de 2022. Em uma entrevista coletiva em Tóquio, o ministro do Meio Ambiente do Japão, Yoshiaki Harada, disse que, em 2022, "a única opção será drenar o conteúdo para o mar".

O governo japonês, no entanto, aguarda um veredicto de um painel de especialistas, cujo objetivo é tentar viabilizar outras opções. A Tepco, então, se limitará a acatá-la. Outras possibilidades incluem o armazenamento prolongado em terra ou a vaporização da água.

Despejar a água pode reduzir os custos de limpeza

Estima-se que, para solucionar o problema, devem ser necessários cerca de US$ 660 bilhões. O acúmulo de fluido radioativo é um problema com o qual a Tepco lida desde o início da crise.

De acordo com informações, divulgadas no El País, os porões dos prédios, que abrigam os reatores, contêm cerca de 500 toneladas de água subterrânea A água é procedente das colinas próximas. Após a construção de uma "parede de gelo" de terra congelada, que isola esses edifícios e desvia a água subterrânea para o mar, a quantidade se reduziu para 100 toneladas.

Em suma, a água da tubulação é bombeada, tratada e armazenada. Entretanto, há um problema. O tratamento para limpar os resíduos radioativos não permite a eliminação do trítio, um isótopo de hidrogênio considerado relativamente inofensivo.

Em 2016, o governo japonês concluiu que nenhum dos métodos disponíveis para remover o trítio são viáveis.

O mar como depósito de lixo

O trítio, supostamente, é considerado relativamente inofensivo. No entanto, o elemento poderia colocar em risco espécies marinhas locais, incluindo peixes. Para quem ainda vive próximo ao local do acidente, os peixes ainda são uma fonte de renda.

Antes, a pesca na região era totalmente proibido. Em contrapartida, fazem apenas dois anos que os leilões de peixes, em Fukushima, foram retomados. Atualmente, as vendas estão 20% abaixo do que alcançavam antes de março de 2011.

Em 2018, a Tepco também revelou que cerca de 80% da água tratada da usina ainda apresentava níveis de radiação, acima do padrão estabelecido pelo governo. Alguns tanques tinham níveis de radiação 20.000 vezes maiores que os padrões de segurança.

O envio dessa água contaminada, para o oceano, poderia contaminar praias próximas à Coreia do Sul.

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Via       science alert  
Imagens El País DW
Arthur Porto
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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