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O reinado de Leopold no Congo que matou tanto quanto o nazismo

POR Bruno Dias    EM Curiosidades      16/10/18 às 18h00

Quando falamos de uma tirania que matou várias pessoas, não pensamos em um país como a Bélgica, até porque esse país é mais conhecido por sua cerveja do que por seus crimes. Mas no imperialismo europeu na África, o império era comandado pelo rei Leopold II e ele era grande e cruel, superando até os piores ditadores do século XX.

O Estado Livre do Congo, como era chamado, permaneceu por 30 anos no comando de Leopold II. E ao invés de ser uma colônia do governo europeu, como a África do Sul ou o Saara Espanhol, o Congo era administrado como propriedade privada enriquecendo seu dono.

A maior plantação do mundo tinha 76 vezes o tamanho da Bélgica com vários recursos minerais e agrícolas. E ela perdeu metade de sua população quando o censo contou apenas 10 milhões de pessoas.

Rei Leopold II

O herdeiro da Bélgica nasceu em 1835 e fazia tudo que um herdeiro ao trono deveria fazer até chegar a sua posição de direito. Leopold aprendeu a montar e atirar, participou de cerimônias estaduais, foi nomeado ao exército e se casou com uma princesa austríaca.

Leopold II assumiu o trono em 1865 e teve um governo suave, como era esperado pelos belgas depois de suas revoluções e reformas para democratizar o país. A única pressão que o jovem rei fez foi no Senado foi com suas tentativas de envolver a Bélgica na construção de um império ultramarino, assim como os países maiores fizeram. E isso se tornou uma obsessão do rei.

Em 1866, ele tentou tirar as Filipinas da rainha Isabella II da Espanha, mas as negociações deram errado quando a rainha foi deposta em 1868. Então Leopoldo começou a falar sobre a África.

Justificativas

Em 1878, os dois exploradores Henry Stanley e Dr. Livingstone iam se encontrar no coração da África, mas a imprensa não dizia o que realmente os homens iam fazer no Congo. Eles tinham se encontrado com rei Leopold II alguns anos antes para formar a Sociedade Internacional Africana que exploraria o continente.

Primeiramente, a expedição foi vista como um ato benevolente do rei que levaria aos nativos os ensinamentos cristãos. Essas expedições abriram caminho para os agentes do reis. O que o rei fez foi matar várias pessoas e tornar a vida dos que ficaram insuportável a procura de ouro, de elefantes para caçarem marfim e desmatar para abrir espaço para plantações de borracha.

O governo belga tinha emprestado a Leopold II o capital para seu projeto humanitário inicial, mas depois que ele pagou essa dívida, todos os lucros obtidos iram diretamente para ele. Não era mais uma colônia belga, era pertencente à Leopold II.

Regra do rei

É sabido que os colonos têm que empregar algum tipo de violência sobre os colonizados para manterem seu poder, mas nos 25 anos do Estado Livre do Congo, o padrão de crueldade foi tamanho que as potências imperiais da Europa ficaram aterrorizadas.

A conquista começou com o rei Leopold II fazendo alianças com forças locais e o principal foi o comerciante de escravos árabe, Tippu Tip. A presença de Tip era considerável e ele enviava escravos e marfim regularmente até a costa de Zanzibar. Isso fez com que Tip virasse um rival de Leopold em sua pretensão de acabar com a escravidão. Então o rei nomeou Tip como governador provincial para que ele não interferisse na colonização.

Mas Tip não obedeceu as regras de Leopold e usou de sua posição para aumentar seus negócios. E o público europeu, que era antiescravagista, pressionou Leopold para que ele o interrompesse. Então o rei contratou um grupo de mercenários congoleses para lutar contra as forças de Tip. Depois de incontáveis mortes, eles expulsaram Tip e seus homens e Leopold II tomou o controle completo.

Controle

Agora que o rei tinha o controle total, ele reorganizou seus mercenários em uma Força Pública que forçava sua vontade em toda colônia. Cada distrito tinha suas cotas de produção e, para cada um deles, Leopold tinha nomeado um governante que tinha poderes ditatoriais. E como os governantes recebiam por comissão, eles forçavam os congoleses a trabalharem ao máximo.

Eles massacraram os elefantes para pegar seu marfim em caçadas com centenas de milhares de homens. O reinado de Leopold II era aberto para qualquer caçador que pudesse pagar a passagem e ir até o Congo fazer sua caça.

A violência também acontecia nas plantações de borracha. E como as seringueiras não crescem em escala comercial e em terras de floresta, os agentes do rei desocupavam as aldeias que, teoricamente, já tinham o solo preparado para dar espaço para a plantação. E no final da década de 1890, quando a produção foi para a Índia e Indonésia, as aldeias foram abandonadas e os habitantes que sobreviveram deixados a própria sorte.

Os senhores do Congo tinham uma ganância que não conhecia limites e eles faziam tudo para conquistar cada vez mais. Leopold II tinha colocado cotas para a produção de matéria-prima e aqueles que não conseguiam cumpri-las eram mutilados com mãos e pés amputados. E se o homem não fosse capturado ou precisasse das duas mãos para trabalhar, as mãos da esposa ou dos filhos é que seriam cortadas.

Sistema

O sistema de Leopold começou a a pesar e ninguém sabe quantas pessoas viveram no Estado Livre do Congo, em 1885, mas a área pode ter tido até 20 milhões de pessoas antes de ser colonizada. No censo de 1924 o número era de 10 milhões.

Por ser uma área remota, a África Central é difícil de se atravessar e nenhuma outra colônia europeia teve refugiados chegando. O que indica que a diminuição da população foi pela morte dela. A morte em massa foi resultado de fome, doenças, excesso de trabalho, infecções pelas mutilações e execuções imediatas.

As práticas feitas pelo rei chegaram aos ouvidos do mundo e foram criticadas pelos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Holanda que tinham colônias de borracha que competiam com Leopold II.

Em 1908, Leopold II não teve outra escolha a não ser ceder suas terras ao governo belga. Então o governo introduziu algumas reformas, como por exemplo, teoricamente, era ilegal matar aleatoriamente civis e os governantes não tinham mais o sistema de comissão. Eles receberiam quando seus mandatos terminassem e se o resultado tivesse sido satisfatório. E o governo também mudou o nome para Congo Belga. Mas as mutilações continuaram até 1971 quando o Congo se tornou independente.

Traumas

A República Democrática do Congo enfrenta até hoje os traumas do governo de Leopold II e o Congo ainda não tem um governo honesto.

Na década de 1990, a Grande Guerra Africana varreu o Congo e matou talvez seis milhões de pessoas, sendo o maior derramamento de sangue desde a Segunda Guerra Mundial. Os países estrangeiros possuem praticamente todos os recursos naturais do Congo. E quase todo o país vive em pobreza mesmo sendo o país mais rico em recurso da Terra por metro quadrado.

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Bruno Dias
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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