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O Rio Amazonas corre pra trás e a ciência já sabe explicar o motivo disso

POR Cristyele Oliveira    EM Ciência e Tecnologia      08/12/19 às 18h15

Diferentemente da maioria dos outros rios, o Rio Amazonas flui na direção oposta. Ao invés de ser de leste para o oeste, o rio flui ao contrário. Por muito tempo, esse fenômeno intrigou os cientistas, até que, finalmente, alguém encontrou a resposta para esse mistério. O fato é que inverter a direção do maior rio do planeta, não é algo trivial. Tanto que, há tempos, os geólogos estudam a sua causa.

Recentemente, o geólogo Victor Sacek, da Universidade de São Paulo conseguiu explicar o motivo do rio correr para trás. E não poderia ser uma coisa mais óbvia. O seu estudo foi publicado na revista acadêmica Earth and Planetary Science Letters. A pesquisa demonstrou que a erosão é o motivo dessa grande mudança no curso do rio. Com os poderosos Andes, no extremo oeste do continente, agora, parece óbvio que os rios da América do Sul fluam para o leste. No entanto, até então, ninguém tinha conseguido provar essa teoria.

Formação do rio

Até há 10 milhões de anos atrás, grande parte do que hoje é a bacia amazônica foi drenada por um rio, que corria para oeste. Isso, em um enorme lago que ficava localizado aos pés do norte dos Andes. Desde então, a água fluiu para o norte, rumo ao mar do Caribe. Como o ícone do Panamá ainda não tinha se formado por completo, toda essa água foi levada para oeste do Pacífico.

Curvar um continente inteiro parece um fenômeno bastante complexo. E isso fez com que os geólogos especulassem quais mudanças na convecção no interior do manto da Terra teriam feito isso. Causando um colapso na África e na América do Sul.

O estudo de Sacek mostra que a ascensão dos Andes, enquanto a placa da América do Sul passava sobre a Placa de Nazca, pode explicar o processo na escalada de tempo, de forma mais concreta. Sacek incluiu em seu modelo, o fator de que, conforme as montanhas subiam, elas consequentemente interceptavam mais nuvens chuvosas. Ou seja, o que por sua vez causavam mais erosões.

O curso do rio

Inicialmente, a ascensão dos Andes produziu um vale rumo ao leste. Isso se tornou o paleolake, no qual a Amazônia, que flui para o oeste, esvaziou. Com o passar dos anos, esse afundamento diminuiu e a erosão aumentou. Assim, substituindo o lago, por várias zonas úmidas, conhecidas como Pebas. As grandes regiões pantanosas de Pebas foram um ecossistema diferente de tudo o que vemos hoje em dia. Porém, eventualmente, acabou resultando em um acúmulo de sedimentos, que elevou a região ao ponto em que as chuvas na área foram recuadas de outra forma.

O modelo de Sacek coincide com o fato de que o sedimento, depositado na foz da Amazônia, aumentou significativamente, durante o período de seu fluxo para o leste. Originalmente, quando as fontes da Amazônia eram relativamente planas, a maior parte do sedimento foi despejado parcialmente até a boca. E só foi remobilizado, várias eras depois.

No entanto, o geólogo admite que o seu modelo "falha em reproduzir completamente a evolução especial e temporal do sistema Pebas", conforme observado em dados geológicos. Ele afirma que ainda é necessário "mais trabalho para concluir toda a evolução do rio, desde a sua formação até a inversão do curso das águas".

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Cristyele Oliveira
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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