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Os astronautas que moram na Estação Espacial ficam com uma impressão digital microbiana

POR Bruno Dias    EM Curiosidades      19/05/20 às 14h50

Por vários anos, os humanos sonham em viver no espaço. E graças ao lançamento de uma estação espacial, as pessoas começaram a entender o espaço. Esse lugar está ajudando os humanos a entenderem como podemos viver no espaço. O mais incrível é que essa ideia não passava de pura ficção científica, há décadas atrás.

A quantidade de informação e conhecimento que nós podemos obter no espaço, é simplesmente inimaginável. Mas mesmo assim, a vida fora do nosso planeta não é tão fácil, como vemos em desenhos e filmes. Problemas como raios cósmicos, radiação e asteroides atrapalham essa vida.

Além deles, dois estudos mostraram como a Estação Espacial Internacional (ISS) deixa uma "impressão digital" microbriana nos astronautas e vice-versa. Os estudos fazem parte de um projeto que analisa como as viagens espaciais afetam o microbioma humano. Esse microbioma é formado por todos os microrganismos que vivem no corpo humano e dentre dele. E também analisar como o microbioma afeta a espaçonave em volta dos astronautas.

Estudo

O primeiro resultado foi uma análise de nove astronautas. O estudo analisou membros da tripulação que ficaram na ISS, entre seis e doze meses. E descobriu que os microbiomas intestinais dessas pessoas ficaram mais diversos no ambiente relativamente estéril e livre de bactérias do espaço.

"Como a estação é um ambiente muito limpo esperávamos uma diversidade reduzida de tripas no espaço em comparação com a pré-voo ou pós-voo, porque os astronautas estão menos expostos a bactérias ambientais", disse o microbiologista Hernan Lorenzi , do J. Craig Venter Institute.

A descoberta foi inesperada e pode ser resultado da dieta controlada que os astronautas tem a bordo da ISS. A NASA coloca à disposição dele mais de 200 opções de alimentos e bebidas. O que é provavelmente mais escolhas do que os astronautas tem em casa.

Felizmente, essa "impressão digital" microbiana intestinal pode ser positiva. Isso porque quanto mais diversas forem as bactérias intestinais, as chances de se evitar doenças são maiores. Mas os pesquisadores ainda não analisaram para ver se esse é o caso dos astronautas.

Quando eles analisaram os microbiomas da pele alguns astronautas tiveram sua diversidade de bactérias aumentada, enquanto em outros ela foi diminuída. A única consistência foi a diminuição das bactérias Proteobacteria. Isso pode ter acontecido por causa da limpeza da estação espacial.

Os cientistas também são capazes de dizer quais foram os astronautas que estavam a bordo da ISS apenas vendo os traços microbianos que eles deixaram para trás. "O microbioma da estação tendia a se assemelhar à composição do microbioma da pele dos astronautas que viviam no espaço naquele momento específico. A pele dos astronautas começa a afetar o microbioma da estação, assim como a estação afeta a pele dos astronautas", explicou Lorenzi.

Observações

Com essas informações, em um segundo estudo, os pesquisadores coletaram amostras da boca, nariz, orelha, pele e cotonetes de saliva de um membro da tripulação da ISS antes e depois da missão.

Depois disso, eles compararam os padrões e conseguiram detectar padrões correspondentes de microrganismos. Ao todo, o microbioma do astronauta contribuiu 55% para o microbioma da superfície. E os micróbios achados na superfície eram mais parecidos com os encontrados nas amostras de pele do astronauta.

De acordo com o estudo, essas semelhanças permanecem até quatro meses depois da partida do astronauta. Entendendo essa relação, entre os microbiomas dos astronautas e das naves, os cientistas conseguirão planejar estadias mais longas e mais seguras para os astronautas.

"Existe uma interação entre a comunidade microbiana da estação espacial e sua tripulação. E o entendimento dos detalhes é importante para evitar complicações para a saúde ou para naves espaciais em missões espaciais humanas de longo prazo", concluiu o biólogo molecular Crystal Jaing, do Lawrence Livermore National Laboratório.

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Bruno Dias
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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