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Paracetamol é o analgésico mais tomado do mundo mas pode induzir comportamento de risco

POR Bruno Dias    EM Curiosidades      14/09/20 às 14h56
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Todos nós já vimos aquela parte azul que costuma acompanhar os remédios, inclusive nas propagandas. "Se persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado". Entretanto, mesmo que essa parte dure no máximo dois segundos, ela já nos alerta sobre alguns efeitos colaterais de alguns medicamentos ou sobre a não eficácia de alguns deles, em certos casos. Contudo, mesmo os medicamentos mais comuns, podem possuir os efeitos colaterais bizarros.

O analgésico acetaminofem, mais conhecido como paracetamol, é um dos medicamentos mais usados no mundo e tem sua venda  livre. E segundo um novo estudo, talvez ele esteja levando as pessoas a fazer outras coisas além de combater as dores no corpo.

O medicamento também é vendido com o nome comercial de Tylenol e vários outros. A nova pesquisa mensurou as alterações no comportamento dos voluntários que tomaram esse remédio. E diz que ele leva o paciente a assumir mais riscos.

"O paracetamol parece fazer as pessoas sentirem menos emoções negativas quando consideram atividades arriscadas. Elas simplesmente não se sentem tão assustadas. Com quase 25% da população dos Estados Unidos tomando paracetamol todas as semanas, a percepção de risco reduzida e o aumento do risco podem ter efeitos importantes na sociedade", disse o Dr. Baldwin Way, neurocientista da Universidade Estadual de Ohio, EUA.

Essas novas observações, junto com outros estudos recentes feitos, mostram que o paracetamol altera a atividade de vários processos psicológicos. E diminuiu a aceitação das pessoas a sentimentos feridos com a redução da empatia e a alteração de  funções cognitivas.

O novo estudo mostrou a diminuição na capacidade afetiva da percepção e avaliação de riscos sob influência do paracetamol. Esses efeitos talvez podem ser leves, mas são notáveis. Até porque o paracetamol é um componente de vários medicamentos que são vendidos sem receita. Nos EUA isso são mais de 600 remédios diferentes.

Estudo

Para o estudo vários testes foram feitos com 500 voluntários que tomaram mil miligramas de paracetamol, que é a dose máxima para adultos. E um grupo recebeu um placebo sem nenhum efeito farmacológico.

Os voluntários tinham que bombear uma bexiga virtual na tela de um computador. E cada bombada dava dinheiro imaginário para o voluntário. O objetivo era encher a bexiga ao máximo e ganhar o máximo de dinheiro. Mas se ela estourasse a pessoa não ficava com nada.

"Se você é avesso ao risco, pode bombear algumas vezes e depois decidir pegar o dinheiro porque não quer que a bexiga estoure perdendo seu dinheiro", explicou Way.

Resultados

Nos resultados, foi visto que aqueles voluntários que tinham tomado paracetamol agiam de uma forma mais arriscada em comparação com as pessoas que tomaram o placebo. Por isso, eles estouraram mais  bexigas.

"Mas para quem está tomando paracetamol, conforme a bexiga fica maior, acreditamos que eles têm menos ansiedade e menos emoção negativa sobre o tamanho do balão e a possibilidade de estourar", ressaltou Way.

Em um outro experimento, os voluntários responderam perguntas que pesquisavam a percepção de risco em cenários imaginários. Como por exemplo, apostar o salário de um dia em um jogo de esporte, pular de bungee jump ou dirigir sem cinto.

A ingestão de paracetamol mostrou a relação com a diminuição do risco percebido em comparação com o grupo de controle em uma das perguntas. Mas uma outra pesquisa parecida não viu esse efeito.

Mas no geral foi observada uma relação significativa entre o consumo do paracetamol e o comportamento mais arriscado. Entretanto, isso pode ser um efeito leve. E para os pesquisadores, pode ser que esse efeito esteja ligado a uma ansiedade menor.

"Pode ser que à medida que a bexiga aumenta de tamanho, aqueles que tomaram placebo sintam uma quantidade crescente de ansiedade de um possível estouro. Quando a ansiedade se torna excessiva, eles encerram o teste. O paracetamol pode reduzir essa ansiedade, levando a um comportamento mais arriscado", disseram os pesquisadores.


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Via   Academic  
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Bruno Dias
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