• MAIS LIDAS
  • QUIZ
  • VÍDEOS
  • ANUNCIE


Primeiro cometa interestelar pode sobreviver ao nosso sistema solar

POR Bruno Dias    EM Curiosidades      04/06/20 às 15h33

Sem sombra de dúvidas, os cometas estão entre os principais objetos celestes, e um dos mais interessantes e curiosos. Alguns cometas são visíveis a olho nu, outros acabam passando despercebidos até pelos olhos mais atentos. Hoje, com toda a tecnologia disponível, podemos identificá-los ainda distantes, quando estão em suas órbitas previsíveis, basta saber onde e quando procurar por um cometa.

E no começo desse ano, um cometa entrou no sistema solar vindo de uma estrela distante que parecia ter morrido quando começou a se separar. Mas uma nova análise da fragmentação, do chamado 2I/Borisov, descobriu que o corpo principal do cometa irá sobreviver ao encontro com o sistema solar.

Essa é uma situação ganha-ganha. Esse cometa se partiu parcialmente, e isso significa que os cientistas podem analisar os detritos do seu interior para tentar entender a sua composição. Além de também entender a jornada que ele fez através da galáxia.

Cometa

O 2I/Borisov foi observado pela primeira vez em agosto de 2019. Ele passou pelo sistema solar em uma trajetória e velocidade que sugeriam uma origem interestelar para ele. Isso fez com que ele fosse o segundo visitante interestelar conhecido e o primeiro cometa interestelar.

No dia oito de dezembro de 2019, ele chegou em seu ponto mais perto do sol. E depois continuou o seu caminho, se curvando levemente por conta da gravidade do sol. E em março desse ele começou a agir.

Os astrônomos poloneses observaram que o brilho dele tinha aumentado. Brilho que eles atribuíam a explosões de poeira e gelo que eram "fortemente indicativas de uma fragmentação contínua do núcleo".

Observações

Com novas observações feitas com o Hubble a respeito do 2I/Borisov, no final de março, o cometa estava em pelo menos dois pedaços. Isso foi o que disse o artigo de pesquisa, liderado por David Jewitt, da Universidade da Califórnia. Com a análise dos dados, a equipe de Jewitt descobriu uma desintegração completa e improvável.

"Nossas observações revelam que a explosão e divisão do núcleo são eventos menores que envolvem uma fração desprezível da massa total. E o 2I/Borisov sobreviverá a sua passagem pela região planetária em grande parte incólume", escreveram os pesquisadores.

Não é uma coisa fora do comum que os cometas do sistema solar externo se desintegrem depois de chegar no seu mais próximo do sol. É acreditado que isso congela o cometa sublimado e acelera sua rotação. E o torque que é adicionado ao processo faz com que a instabilidade centrípeta aumente. E é isso que faz com que o cometa se separe.

O 2I/Borisov tem várias características em comum com os cometas do sistema solar externo. E sua fragmentação já era antecipada como sendo uma forte possibilidade. Mas segundo o novo estudo, a explosão que aconteceu em março foi relativamente pequena.

Segundo os cálculos de Jewitt e sua equipe, a explosão que aconteceu no começo de março foi uma nuvem de aproximadamente 100 quilômetros quadrados de diâmetro feitas de partículas de cerca de 0,1 milímetros de tamanho. A nuvem tinha uma massa estimada de 20 milhões de quilogramas.

Isso é apenas uma fração do núcleo que a equipe estimou ser de 300 bilhões de quilogramas com um raio de 500 metros. Esse tamanho foi calculado pelas medições de alta resolução da superfície do objeto.

Sobrevivente

O objeto secundário que apareceu depois tinha aproximadamente 600 metros quadrados e uma massa de 120 mil quilogramas. A equipe acredita que ele é um pedaço que se soltou do núcleo principal durante a explosão. Mas ele não apareceu por várias semanas. E com isso, a equipe foi capaz de calcular como e porque ele apareceu.

"A aparência tardia e o rápido desaparecimento do secundário juntos sugerem uma origem por rotação e ruptura rotacional de um ou mais pedregulhos grandes, em escala de metro, sob a ação de torques de desgaseificação", explicaram.

Os astrônomos ainda continuam observando esse cometa, mas até agora nenhuma outra  explosão foi vista. Isso mostra que esse visitante interestelar está intacto e sobreviveu ao estresse de estar perto do sol. Coisa que vários cometas não fazem.

Próxima Matéria
Bruno Dias
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
Viu algum erro ou gostaria de adicionar alguma sugestão a essa matéria? Colabore, Clique aqui.


Matérias selecionadas especialmente para você!

Curta Fatos Desconhecidos no Facebook
Confira nosso canal no Youtube
Siga-nos no
Instagram
Siga Fatos Desconhecidos no Google+