Rede misteriosa de rios subaquáticos parece cercar a costa da Austrália

POR Bruno Dias    EM Curiosidades      19/06/20 às 16h17
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Um dos lugares que muitas pessoas sonham em conhecer é a Austrália. O país do hemisfério sul, localizado na Oceania, compõe a menor área continental do mundo. Mas a sua pequena área não o impede de ser rico em fauna e flora, e nem de ter exuberantes animais, o que atrai ainda mais turistas.

Podemos encontrar imagens da Austrália que deixam qualquer pessoa afim de ir em busca de aventuras no país dos cangurus. E o país não nos surpreende apenas pelos animais mais estranhos do planeta encontrados por lá.

Os cientistas descobriram um sistema nunca antes visto de rios subaquáticos que fluem escondidos da vista por toda a plataforma continental da Austrália. Essa escala é desconhecida de qualquer outro lugar no mundo.

O fenômeno é chamado de "cascatas densas em prateleiras de água" (DSWCs, sigla em inglês). E segundo os novos dados registrados pelos submersíveis de planadores oceânicos, ele parece cercar a maior parte do pais. Eles detectaram, até agora, fluxo subaquáticos ao longo de mais de 10 mil quilômetros da costa australiana.

"Esta é a descoberta mais significativa para a oceanografia costeira nas últimas décadas. Não apenas na Austrália, mas globalmente", disse Chari Pattiaratchi, oceanógrafo da Universidade da Austrália Ocidental.

As DSWCs são o resultado das mudanças na densidade d água perto da costa. A evaporação do calor no verão e a diminuição da água doce nos rios criam as águas costeiras mais salgadas.

E quando o clima esfria essa água salgada pesada afunda ainda mais do que o normal. E com a influência da gravidade a água densa flui para o mar ao longo do fundo dele. O que é de forma efetiva, um rio subaquático no fundo do oceano.

Fenômeno

Esse processo já foi estudado antes, mas até  o momento ninguém tinha percebido que a Austrália parece ter um caso único. Já que ele é um caso em uma escala praticamente continental desse fenômeno.

Para que os pontos sejam ligados é preciso ter uma grande quantidade de observações subaquáticas registradas por vários anos pelos submersíveis do Sistema Integrado de Observação Marinha (IMOS), operados por pesquisadores da Universidade da Austrália Ocidental.

"Este trabalho foi o resultado de um enorme conjunto de dados coletados usando planadores IMOS ao longo de mais de uma década. É equivalente a passar mais de 2.500 dias no mar. Isso nos permitiu examinar dados de diferentes áreas da Austrália. E também examinar a variabilidade sazonal", explicou Tanziha Mahjabin, principal autor e oceanógrafo físico.

Observações

Os resultados que foram conseguidos entre 2008 e 2019, em mais de 126 missões de planadores em oito regiões diferentes, mostraram que esse fenômeno é variável sazonalmente. Ele tem o seu pico nos meses de inverno. Isso acontece por causa da perda de calor na águas rasas.

Mas além das temperaturas, as DSWCs podem ter implicações significativas na qualidade da água. E na plataforma continental interna e no ecossistema profundo do oceano. Tudo isso porque a água mais densa, que compõe o rio subaquático, carrega nela mais partículas do que os sistemas fluviais em terra.

"O oceano costeiro é a bacia receptora de matéria suspensa e dissolvida, que inclui nutrientes, matéria vegetal e animal e poluentes e representa um componente importante do ambiente oceânico, conectando a terra ao oceano profundo", ressalta Yasha Hetzel, co-autor e oceanógrafo.

Efeitos

Os efeitos finais disso serão descobertos por pesquisas futuras. Mas a Austrália pode estar em uma classificação só dela. Já que todas as evidências até agora sugerem que o continente insular pode estar cercado por esse fenômeno único.

"O transporte entre prateleiras, para o qual a DSWC é um forte colaborador, tem um papel importante no funcionamento do ecossistema e nos processos biogeoquímicos. Como um canal para o transporte de água costeira e material dissolvido e suspenso das prateleiras continentais", escreveram os pesquisadores em seu artigo.

"Concentrações mais altas de clorofila e material em suspensão, juntamente com correntes direcionadas para o exterior, demonstram que o DSWC pode ter uma grande influência no transporte entre plataformas ao longo das costas que se estendem por mais de 10.000 quilômetros", concluíram.


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