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Restos humanos de 10 mil anos encontrados na Amazônia revelam novas informações sobre o passado

POR Cristyele Oliveira    EM Ciência e Tecnologia      30/04/19 às 14h57

A cada nova descoberta dos cientistas surge também uma nova evidência que nos aproxima de uma melhor compreensão sobre o passado da humanidade. Exemplo disso é uma recente descoberta de uma ossada humana. Os restos mortais foram encontrados na Isla del Tesoro, na região boliviana de Llanos de Moxos, ainda dentro do território da Floresta Amazônica. Os restos humanos encontrados sugerem que a origem dos assentamentos no local podem ter cerca de 10 mil anos.

A descoberta surpreendeu os pesquisadores. Isso devido ao fato de ser muito raro encontrar restos mortais do período anterior ao desenvolvimento da cerâmica na região. Não é que não havia habitantes na região naquela época, mas o solo ácido e o clima tropical dificultam a preservação dos corpos humanos ou artefatos.

A descoberta

"Até onde eu sei, esses são os restos mortais mais antigos documentados no sudoeste da Amazônia", disse José Capriles, principal autor do estudo e professor assistente de Antropologia na Pennsylvania State University, ao Smithsonian.

Esse caso, em particular, é especial devido a um fator incomum. Naquela região, existe uma abundância de carbonato de cálcio das diversas conchas e cascas presentes na região. A presença dessas substâncias ajudou na preservação da ossada que foi encontrada em bom estado. A descoberta sugere que possíveis caçadores ocuparam a área muito antes do que os cientistas acreditavam.

"Esses locais podem representar algumas das primeiras formas de trabalho na terra na região", afirma Bronwen Whitney, geógrafo da Northumbria University, mas que não participou da nova descoberta.

A Llanos de Moxos é uma savana tropical, localizada no norte da Bolívia. O local atrai vários arqueólogos devido às sociedades agrícolas da região serem bem desenvolvidas há 2,5 mil anos atrás. Umberto Lombardo, coautor do estudo diz que ficou bastante intrigado com as ilhas encontradas no centro da floresta.

"Quando pesquisei pela primeira vez a Isla del Tesoro em 2007, fiquei completamente perdido. Só depois da análise laboratorial comecei a perceber que essas ilhas não eram apenas antropogênicas, mas, na verdade, muito mais antigas do que qualquer outro vestígio arqueológico conhecido em toda a região".

O passado

O local só começou a ser pesquisado há cerca de uma década. No entanto, as primeiras descobertas feitas na região só foram publicadas em 2013. Naquela época os pesquisadores já haviam encontrado outros túmulos, porém nenhum dele eram tão antigos quanto o dessa nova descoberta.

Lombardo argumenta que o novo estudo é uma prova do desenvolvimento da agricultura em diversas partes do mundo. Devido algumas evidências genéticas, vários cientistas consideram que o sudoeste da Amazônia foi um dos pioneiros na criação de centros de domesticação de plantas na América do Sul. A região possui um terreno propício ao cultivo de plantas como mandioca, batata-doce, arroz selvagem, pimenta e amendoim.

Alguns dos comportamentos observados nas ilhas de Llanos de Moxos poderiam inclusive ter criado bases sólidas para a agricultura. Com o aumento do consumo de alimentos de baixo retorno, como os caracóis, sugere-se que alguns recursos alimentares tenham ficado escassos. Outra evidência fruto da descoberta, é que pode ser um sinal do aumento da territorialidade e diminuição da mobilidade. O que talvez possa ter dado início à agricultura na região.

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Via   Galileu  
Imagens Galileu
Cristyele Oliveira
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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