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Segundo estudo, o novo coronavírus é mais letal entre negros no Brasil

POR Erik Ely EM Ciência e Tecnologia 01/06/20 às 09h39

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De acordo com um estudo realizado pela PUC-Rio, o novo coronavírus é mais letal entre negros no Brasil. Segundo o 'Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde' (NOIS), a progressão de casos confirmados da doença no Brasil é influenciada pelas desigualdades no acesso ao tratamento, que atinge principalmente a população negra.

Para se chegar nesse resultado, os pesquisadores analisaram as taxas de letalidade doença no Brasil, bem como variáveis socioeconômicas e demográficas da população. Assim, a verificação dos dados foi feita pelo NOIS e liderada pelo Departamento de Engenharia Industrial do Centro Técnico Científico da PUC-Rio.

Uma série de desigualdades no acesso ao tratamento

De acordo com os pesquisadores, cerca de 30 mil casos graves da doença foram analisados. Esses são dados contabilizados pelo Ministério da Saúde até o dia 18 de maio. Depois disso, com os resultados, pode-se concluir que, do total de pessoas que morreram devido à Covid-19, 55% eram negros e pardos. Enquanto por outro lado, entre os brancos, os óbitos somam 38%.

Segundo Silvio Hamacher, coordenador do NOIS, a progressão de casos confirmados é diretamente relacionada à fatores socieconômicos. "A letalidade em pretos e pardos sempre é superior à dos brancos, mesmo analisando pacientes da mesma faixa etária ou do mesmo nível de escolaridade. Isso demonstra que a taxa de letalidade do Brasil é influenciada pelas desigualdades no acesso ao tratamento", afirma.

Por meio dos dados recolhidos, também é possível notar estatísticas de internação, raça e escolaridade. Portanto, foi possível concluir que a taxa de letalidade também estava ligada às diferenças sociais. Assim, há quatro vezes mais chances de um paciente negro sem escolaridade morrer da doença, do que um indivíduo branco com nível superior. Esses dados de mortalidade são de, respectivamente, 76% e 19,6%. Caso a comparação seja realizada com pessoas do mesmo nível de escolaridade, a proporção de óbito entre negros é, em média, 37% maior do que a de brancos.

Uma doença que evidencia as diferenças sociais no Brasil

Ainda segundo os dados, pessoas brancas sem escolaridade apresentam taxas de 48% de tratamento em enfermarias. Enquanto para negros, essa proporção é mais alta, chegando a 69%. No caso de UTIs, a porcentagem para brancos é de 71% e 87% para negros. Se levarmos em conta o ensino superior, a diferença é ainda maior. Dessa forma, há 7% de brancos em enfermarias, enquanto os negros representam 17%. Se considerarmos a UTI, são 40% contra 63%, respectivamente.

Em um outro estudo, de autoria conjunta do laboratório de pesquisa do 'Departamento de Medicina da Universidade de Cambridge' e de um grupo de especialistas brasileiros, um cenário semelhante pode ser encontrado. Segundo o estudo, a população negra que apresenta maior vulnerabilidade à doença no Brasil é "negra e pobre". Novamente, o número de óbito se apresenta como um reflexo direto das desigualdades sociais encontradas no país.

De acordo com os pesquisadores do estudo, a população negra é mais vulnerável porque apresenta um número maior de óbitos causados pela doença. Contudo, isso está ligado diretamente às implicações sociais. Isso porque, esses grupos possuem menos segurança social. Para se ter uma ideia, ser negro é um fator tão importante quanto a idade dos infectados.


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