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A triste história do garoto mais jovem a sentar em uma cadeira elétrica

POR Jesus Galvão EM História 04/10/18 às 17h00

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George Stinney Jr., de apenas 14 anos, foi a pessoa mais jovem nos Estados Unidos condenada à morte em uma cadeira elétrica. Após um julgamento de duas horas, onde ele foi obrigado a confessar um crime pela polícia local, o garoto foi enviado a Penitenciária Estadual da Carolina do Sul, onde foi executado. Sua condenação seria anulada 70 anos depois.

Stinney era um jovem negro morador da cidade de Alcolu, na Carolina do Sul, nos Estados Unidos. Naquela época, os brancos eram separados dos negros por um trilho de trem que cortava a cidade. Ele morava junto de seus familiares em um alojamento de uma serraria local onde seu pai era empregado, e na qual ele teria sido demitido quando o jovem Stinney, foi acusado de assassinar duas meninas brancas.

As mortes

Segundo documentos judiciais, Betty June Binnicker e Mary Emma Thames, com 11 e 7 anos sucessivamente, andavam de bicicleta no lado dos negros da cidade em 24 de março de 1944 a procura de flores de maracujá. As meninas teriam se aproximado de George e de sua irmã mais nova, Aime, que estavam parados do lado de fora do alojamento em que moravam, para perguntar onde poderiam encontrar tais flores.

Supostamente essa foi a última vez que as meninas foram vistas. As meninas, de pele branca, não voltaram para suas casas naquele dia. Dezenas de moradores foram às ruas em busca do paradeiro de Binnicker e Thames. Incluindo o pai de Stinney. Os corpos das meninas foram encontrados em uma vala cheia d'água com seus crânios esmagados.

Ainda naquele mesmo dia, o médico legista, A.C. Bozard, após realizar uma autopsia informou que a causa da morte das meninas era devido a um trauma contuso. Para o médico, as meninas foram golpeadas na cabeça por diversas vezes com um objeto de "cabeça redonda e pequena, do tamanho de um martelo".

Assim que os policiais do condado de Clarendon recebeu de uma testemunha a informação de que as meninas tinham sido vistas conversando com Stinney no dia anterior, eles foram imediatamente para sua residência. Stinney foi algemado e levado à uma pequena prisão no condado de Sumter, onde foi interrogado a portas fechadas sem qualquer testemunha ou advogado. Nos relatos da polícia, Stinney teria confessado ter assassinado as meninas depois que seus planos de transar com uma delas não saiu como ele teria planejado.

Duas longas horas

Cerca de um mês após encontrar o corpo de Binnicker e Thames, Stinney foi levado a julgamento na corte do Condado de Clarendon. Charles Plowden, um advogado branco de defesa, indicado pelo próprio tribunal, faria sua defesa. Porém, na prática as coisas não funcionaram bem assim. Plowden não apresentou testemunhas, nem sequer alguma evidência que pudesse colocar ao menos em dúvida as acusações sobre o garoto.

No julgamento que durou cerca de duas horas, a única evidência que se tinha contra Stinney era uma suposta confissão do garoto admitindo os assassinatos. Entretanto, não havia registro escrito do adolescente admitindo a ação. O resultado? Stinney foi considerado pelo juri - formado apenas por pessoas brancas - culpado de um homicídio em primeiro grau. Sitnney foi sentenciado então à morte na cadeira elétrica.

No dia 16 de junho de 1944, Stinney foi enviado a Penitenciária da Carolina do Sul, no sudeste nos EUA, para uma câmara de execução. O garoto chegou ao local com uma bíblia debaixo dos braços. A cadeira elétrica da prisão, onde Stinney foi amarrado, foi feita para execução de prisioneiros adultos. Ao colocar a máscara que cobriria seu rosto, devido ao tamanho, ela ficou muito grande.

Stinny recebeu 3 sessões de descargas elétricas em seu corpo que chegavam a cerca de 2.400 volts cada uma delas. A execução levou cerca de 4 minutos. As 19h30 daquele dia, 83 dias após os crimes, o menino era declarado morto.

Condenação revogada

Em 2014, os irmãos de George Stinney Jr., apelaram da condenação por homicídio em primeiro grau, que foi responsável pela morte do garoto. Eles possuíam um álibi: Stinney estava junto de Aime no dia do crime, além de que o garoto fez uma confissão por ter sido coagido. Os irmãos de Stinney ainda alegaram que um homem que dividiu a cela com o garoto na prisão em Sumter, afirmou que Stinney negou ter matado Binnicker e Thames.

Em dezembro daquele ano, a juizá Carmen T. Mullen revogou a condenação de Stinney, afirmando que a sentença era "cruel e incomum". 70 anos após a condenação de seu irmão, os irmãos de Stinney ficaram muito felizes com a notícia de que a condenação foi revogada e que eles puderam estar vivos para poderem ver o fato acontecer, mesmo que tal retratação não pudesse reverter o engano cometido décadas atrás.

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Jesus Galvão
Goiano, Canceriano e Publicitário.
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