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Vírus mortal aos anfíbios foi detectado no Brasil em sapos e pererecas

POR Diogo Quiareli    EM Natureza      30/05/19 às 18h04

Existem diversas doenças terríveis que assombram nossas vidas, não é mesmo? Vivemos em prol de exames e consultas médicas para certificarmo-nos de que está tudo certo. No entanto, os animais também sofrem com esses males e, infelizmente, não conseguem um atendimento no posto de saúde. Foi divulgado há um tempo, um tipo de vírus mortal aos anfíbios, mas até o momento, não tinha chegado no Brasil. A presença e ação do ranavírus foi identificada no Brasil pela primeira vez. A mesma está sim atuando na natureza do nosso país. O patógeno infectou rãs, pererecas e sapos que estavam presentes em duas lagoas na cidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.

Esse vírus não causa danos aos humanos, o que nos deixa despreocupados. Por outro lado, é uma grave ameaça aos animais e pode provocar hemorragia interna e ulceração na pele. O estudo a respeito da mesma é fruto da pesquisa de pós-doutorado de Joice Ruggeri. Essa pesquisa é apoiada pela agência FAPESP, em parceria com diversos pesquisadores brasileiros. Esses coletaram exemplares de rãs, sapos e pererecas em diferentes lagoas do Brasil localizadas na região da Mata Atlântica.

Esses animais passaram por uma análise molecular, sendo utilizada uma técnica de reação em cadeia bem detalhada. Essa tem a capacidade de "amplificar o DNA". "Coletamos as amostras, fizemos a extração do DNA no laboratório e realizamos um PCR quantitativo em tempo real, que não somente possibilita detectar o patógeno, mas também quantifica a carga viral em cada uma das amostras. Essa explicação foi dada por Ruggeri.

Os pesquisadores envolvidos encontraram girinos de espécies nativas e de rãs-touro, consideradas invasoras ao habitat local. Em uma das lagoas, onde só continha espécies nativas, os animais apresentaram baixos níveis de ranavírus. Por outro lado, em outra lagoa, onde não havia espécies nativas, foram encontrados mais de 20 girinos de rã-touro mortos. Esses apresentaram lesões severas na pele causadas pelo vírus. Dois girinos encontrados ainda vivos, apresentavam baixos níveis de infecção.

Para os estudiosos, apesar das rã-touro apresentaram de forma natural uma alta tolerância ao vírus, havia altas cargas de patógeno nos animais. Com origem da América do Norte, elas são a principal espécie criada para o consumo humano. Geralmente são criadas em ranários, localizados em regiões onde foram feitas as coletas. Uma hipótese estudada é que esse vírus tenha disseminado na Mata Atlântica por meio dos ranários.

"Ainda não sabemos se o vírus é endêmico no Brasil, mas pode ser que ele tenha surgido a partir da introdução de invertebrados no país. Um deles é a rã-touro, mas esse vírus também infecta peixes, outros anfíbios e répteis", afirmou Ruggeri. Duas rã-touro estudadas não apresentavam somente o ranavírus, mas também o fungo Batrachochytrium dendrobatidis. Esse é responsável por praticamente levar à extinção 90 espécies de sapos. O fungo foi detectado em 7 de 19 amostras de girinos mortos, de espécies nativas e invasoras.

Vírus que ataca os sapos

"Os anfíbios são os animais mais ameaçados entre os grupos de invertebrados. Descobrir o vírus no Brasil foi um passo muito importante para entendermos a sua dinâmica na natureza e saber se existe uma correlação com o fungo. Apesar do estudo estar no início, ele é especial para a conservação dos anfíbios brasileiros". Essa finalização foi feita pela pesquisadora.

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Diogo Quiareli
Geminiano, 25 anos, goiano.
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